Kalupeteca nega envolvimento nos confrontos

Julgamento do líder da Seita religiosa Luz do Mundo, Julino Kalupeteka (Foto: Júlio Vilinga)

O líder da igreja adventista do 7º Dia “Luz do Mundo”, José Julino Kalupeteka, negou quinta-feira, em juízo, o envolvimento nos confrontos entre os seus seguidores e a Policia Nacional, que resultou na morte de nove elementos da corporação, em Abril do ano transacto.

Ouvido no Tribunal Provincial do Huambo, no quadro do julgamento que decorre desde segunda-feira, José Kalupeteka declarou que no dia dos confrontos encontrava-se no pátio da sua residência no Monte Sumi, com mais sete jovens, negando o seu envolvimento no conflito, bem como o abaixamento de “qualquer orientação” aos fiéis sobre a presença do efectivo da Polícia Nacional.

Durante o interrogatório, refutou as acusações constantes nos autos de instrução preparatória, segundo as quais impediu os seus seguidores de participarem nas eleições gerais de 2012 e no Censo Geral da População, decorrido em 2014, alegando ser uma conspiração.

No entanto, admitiu ter adquirido duas armas de fogo do tipo caçadeira, ao preço de 70 mil cada, para ser utilizado no serviço de protecção.

Declarou ainda que a organização, criada por si em 2006, estava estendida nas províncias do Bié, Luanda, Benguela, Cuanza Sul, Cunene, Lunda Norte, Cuando Cubango e Namibe, e que exercia as suas actividades ilegalmente.

O Tribunal do Huambo vai dar continuidade, hoje, sexta-feira, ao interrogatório a José Kalupeteka, acusado de nove crimes de homicídio qualificado.

A suspensão da audição deveu-se, segundo o juiz presidente da causa, Afonso Pinto, ao esgotamento do tempo.

Antes do interrogatório a José Kalupeteka, foi ouvido Hossi Luacuty Vilinga, que declarou-se membro da seita desde 2012, que tal e qual os oito arguidos ouvidos até ao momento, negou “qualquer participação” nos crimes de homicídio, não tendo respondido as questões do Ministério Publico, por orientação da defesa.

José Julino Kalupeteka vem acusado, juntamente com 10 seguidores seus, nos crimes de homicídio voluntário qualificado, sob a forma consumada, homicídio voluntário qualificado, sob a forma frustrada, de desobediência, de resistência e de posse ilegal de arma de fogo, previstos e puníveis pelo Código Penal e legislação avulsa vigente.

No processo, o Ministério Público acusa os co-arguidos, por co-autoria moral e concurso real nos crimes de homicídios qualificado, sob forma frustrada, homicídios qualificado, sob a forma consumada, crime de desobediência, de danos materiais, de resistências e de posse ilegal de arma de fogo, previstos e puníveis pelo Código Penal e legislação avulsa vigente.

No incidente ocorrido Monte Sumi, no município da Caála, 49 quilómetros da cidade do Huambo, resultou no assassinato de nove agentes da Polícia Nacional, por elementos afectos esta seita religiosa, quando o efectivo cumpriam um mandado de captura contra o líder da organização, emitido pela Procuradoria-Geral da República na província do Bié.

Entre as vítimas, consta o comandante da corporação naquele município Caála, superintende-chefe Evaristo Catumbela, o chefe das operações da Polícia de Intervenção Rápida nesta província, intendente Luhengue Joaquim José, e o instrutor da Polícia de Intervenção Rápida, sub-inspector Abel do Carmo, o 1º sub-chefe João Nunes, os agentes Luís Sambo, Castro Hossi, Manuel Lopes e Afonso António, assim como o delegado do Serviço de Inteligência e Segurança Interna do município da Caála, António Afonso. (ANGOP)

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