Kalupeteca começa a ser julgado

O líder da seita "A luz do Mundo" Julino Kalupeteca (REUTERS/Herculano Coroado)

O líder da seita  “A luz do mundo” Julino Kalupeteca e outros dez elementos acusados do crime de homicídio num caso que envolveu confrontos mortais com a polícia, começaram a ser julgado hoje no Tribunal Provincial do Huambo.

O líder da seita “A Luz do mundo” é acusado de nove crimes de homicídio qualificado consumado, crimes de homicídio qualificado frustrado e ainda de desobediência, resistência e posse ilegal de arma de fogo. Em causa estão os confrontos entre os fiéis e a polícia do Bié que se preparava para dar cumprimento a um mandado de captura de Kalupeteka e outros dirigentes da seita religiosa, que se encontravam em retiro no monte Sumé.Neste incidente nove polícias e treze fiéis perderam a vida.

Oposição e comunidade internacional pede explicações

Uma versão que é contrariada pela oposição, UNITA, que denunciou a existência de centenas de mortos entre os populares e pediu uma investigação internacional, acusações e pretensão negadas pelo governo. Também a CASA-CE enviou um relatório sobre este “alegado massacre” à ONU e União Europeia. Os apelos chegaram igualmente do porta-voz do Alto Comissariado da ONU que instou o governo angolano a garantir uma investigação independente, uma postura que foi mal vista pelas autoridades que exigiram um pedido de desculpa.

Associação Mãos Livres defende Kalupeteca

Na semana passada um membro da seita de José Julino Kalupeteka, foi condenado na província do Bié a 20 anos de prisão, por “crime de homicídio qualificado na forma frustrada”, porque em Abril passado recusou acatar ordens de despejo, o que degenerou em confrontos com a polícia. Em entrevista à RFI Salvador Freire, presidente da Associação Mãos Livres, admitiu que por dificuldades financeiras a ONG não pode defender o cidadão e considerou a pena “uma aberração”.

Salvador Freire insistiu ainda no facto de que esta condenação não vai “influenciar em nada” o processo de José Julino Kalupeteka, líder da seita “A Luz do Mundo”, preso em Abril de 2014, e que a Associação Mãos Livres começa a defender esta segunda-feira.

A seita em causa, não reconhecida pelo Estado angolano, era conhecida por defender o fim do mundo em 2015 e não permitir a alfabetização ou vacinação dos fiéis, tendo sido criada por Kalupeteka em 2006, depois de este ter sido expulso da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (RFI)

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