Julgamento de Kalupeteka pode terminar na próxima semana

(REUTERS)

Salvador Freire, presidente da Associação Mãos Livres, que patrocina a defesa dos acusados, diz que julgamento está a cumprir com todos os prazos previstos. Esta semana, defesa desentendeu-se com juiz da causa.

O julgamento dos membros da seita “A Luz do Mundo”, incluindo do seu líder, José Julino Kalupeteka, está na fase derradeira. Na semana passada, foram concluídas as audições aos acusados. Esta semana, o Tribunal Provincial do Huambo ouviu parte dos mais de 50 declarantes arrolados no caso, na sua maioria agentes da Polícia Nacional e das Forças Armadas angolanas.

A semana ficou marcada por um desentendimento entre o advogado dos réus, David Mendes, e o juiz da causa – conta o presidente da Associação Mãos Livres, organização que patrocina a defesa dos acusados.

Segundo Salvador Freire, o investigador do processo disse, durante a audição em tribunal, que não podia precisar se Kalupeteka havia sido detido na posse de uma arma de fogo, pois a detenção do líder da seita fora feita por outros agentes.

A defesa terá, então, pedido ao juiz Afonso Pinto que as declarações constassem da ata, mas o magistrado indeferiu o requerimento.

“Foi uma situação que não foi muito boa. O juiz insurgiu-se contra o advogado e mandou-o calar a boca”, relata Salvador Freire.

Insatisfeito com o comportamento do juiz, o advogado David Mendes terá então ameaçado mover um processo contra Afonso Pinto.

Processo a bom ritmo

Apesar de tudo, o presidente da Associação Mãos Livres considera que o processo decorre a bom passo, “de forma célere”.

“Penso que a forma como está a decorrer permite tirar conclusões muito simples”, diz Salvador Freire, que acredita que, se as audições continuarem a este ritmo, o julgamento poderá terminar em breve.

“É um julgamento que está a ser feito dentro das normas de um processo penal e que está a cumprir com todas as formalidades legais”, afirma. “Acredito que, na próxima semana, o julgamento termina, porque está a cumprir com todos os prazos previstos.”

Ao todo, estão a ser julgados no tribunal provincial do Huambo dez membros da Igreja Adventista do 7º Dia “A Luz do Mundo”, incluindo o seu líder, José Julino Kalupeteka. Os réus são acusados de diversos crimes, incluindo o assassinato de nove agentes da Polícia Nacional, na sequência dos confrontos no município de Caála, província do Huambo, em Abril do ano passado. (DW)

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