Jornal do Vaticano critica capa “lamentável” do Charlie Hebdo

Homem lê o semanário satírico francês Charlie Hebdo, em Nice, na França. 06/01/2016 (REUTERS/Eric Gaillard)

O jornal do Vaticano criticou o semanário satírico francês Charlie Hebdo por ter retractado Deus como um assassino carregando um fuzile Kalashnikov, e afirmou que a imagem é “lastimável” e um desrespeito aos verdadeiros seguidores de todas as crenças.

A imagem aparece na edição que marca a data de um ano de ataque realizado em Janeiro de 2015, quando militantes islâmicos mataram 12 pessoas após invadir a redacção do Charlie Hebdo em Paris. A charge na capa mostra um Deus com raiva, sangue nas mãos e um fuzile nas costas.

Um ano depois, o assassino continua solto”, diz a manchete.

O jornal do Vaticano L’Osservatore Romano acusou o Charlie Hebdo de buscar “manipular” a fé.

“Por trás de uma enganosa bandeira de secularismo descompromissado, o semanário francês mais uma vez esquece aquilo que os líderes de todas as fés têm pedido há anos: a rejeição à violência em nome da religião e que usar o nome de Deus para justificar o ódio é uma blasfémia genuína”, disse o jornal em um breve comentário.

“A atitude do Charlie Hebdo expõe o triste paradoxo de um mundo cada vez mais sensível em relação a ser politicamente correcto ao ponto de ser ridículo…, mas não quer reconhecer ou respeitar a fé de quem acredita em Deus, independentemente de sua religião.”

O Charlie Hebdo, famoso por suas capas satíricas ridicularizando líderes políticos e religiosos, perdeu vários integrantes de sua cúpula editorial no ataque em 7 de Janeiro de 2015.

Após o ataque, o Papa Francisco se posicionou a respeito da atitude anti-religiosa do Charlie Hebdo.

“Não se pode provocar, não se pode insultar a fé dos outros, não se pode gozar da fé”, disse ele a jornalistas durante uma viajem pela Ásia. O Vaticano depois emitiu um comunicado no qual afirmou que as declarações do Papa não tinham intenção de justificar os ataques. (REUTERS)

por Crispian Balmer

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