Instalação de um halo protector nos F1 ganha força

Após a morte de Justin Wilson, a Fórmula 1 procura soluções de segurança (BBC)

Os pilotos defendem a medida, que visa melhorar o nível de segurança nos monolugares.

Os pilotos defendem a instalação de mais uma medida de protecção nos cockpits dos monolugares de Fórmula 1 a partir da temporada de 2017, convictos que a colocação do designado halo irá contribuir para prevenir ferimentos graves e até mortais motivados pelo embate com detritos que possam existir nas pistas.

O presidente da Associação dos Pilotos de Fórmula 1 (GPDA, sigla na versão inglesa), Alexander Wurz, afirmou nesta segunda-feira que os membros daquela entidade desejam “uma rápida introdução” da solução inicialmente sugerida pela Mercedes – uma estrutura metálica fixa ao carro e que protege a cabeça dos pilotos.

Os responsáveis da F1 têm vindo a testar diversas formas de melhorar o grau de protecção da cabeça dos pilotos, pesando os benefícios e os contras da instalação do halo protector comparativamente com a introdução de cockpits inteiramente fechados, uma opção que alguns temem que possa funcionar como uma prisão para o piloto em caso de acidente.

A opção pelo halo de protecção permite que este seja retirado rapidamente na eventualidade de um sinistro e os seus defensores afirmam que ele não constitui uma obstrução significativa à linha de visão dos pilotos. “A investigação que os peritos da Federação Internacional do Automóvel [FIA] estão a realizar é muito exaustiva e permitiu desenvolver uma solução simples”, declarou o austríaco, antigo piloto de F1, que abandonou a modalidade o ano passado, estando agora a trabalhar na FIA precisamente na área da segurança.

“Os pilotos consideram que, pelo menos até 2017, é altura para introduzir mecanismos de segurança extra [nos carros]” disse Wurz à BBC. Melhorar a protecção craniana tornou-se prioritário depois das mortes, na temporada passada, do britânico Justin Wilson, antigo piloto de F1 que sofreu ferimentos graves na cabeça num acidente de uma prova de IndyCar, após ter sido atingido por destroços e do francês Jules Bianchi.

Bianchi, a primeira morte em corridas de F1 nos últimos 21 anos, faleceu em Julho, nove meses depois de ter sido vítima de sérias lesões cerebrais  em 2014, durante o Grande Prémio do Japão, depois do seu carro ter deslizado para fora da pista e ter chocado com um reboque.

Em 2009, o brasileiro Felipe Massa esteve perto da morte ao ser atingido no capacete por uma peça que se soltou de um outro monolugar e que foi “cuspida” para trás pelo carro que seguia à frente do Ferrari de Massa, durante a qualificação para o Grande Prémio da Hungria. Massa conseguiria recuperar e é actualmente piloto da Williams.

Segundo Wurz, o apoio dos pilotos ao halo protector deveria fazer com que a sua introdução fosse uma mera “formalidade”. “Obviamente que serão necessárias alterações estruturais ao chassis [dos F1] mas, com quase um ano de antecedência, não vejo que haja alguém contra a implementação destas melhorias da segurança” dos monolugares.

O director de segurança da FIA, Laurent Mekies, afirmou no último mês de Outubro que um dispositivo de segurança craniana poderia ser introduzido em 2017 se os testes mostrassem a sua eficácia. Para sexta-feira está agendada uma reunião com os directores técnicos das diferentes equipas de F1 para discutir alterações a aplicar na temporada de 2017 e seguintes. (AFP)

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