Huambo: Tribunal ouve delegado da Justiça sobre legalidade da seita “Luz do Mundo”

Julgamento do líder da Seita religiosa Luz do Mundo, Julino Kalupeteka (Foto: Júlio Vilinga)

O delegado da Justiça e dos Direitos Humanos na província do Huambo, Ernesto Estevão Pedro, foi quinta-feira, ouvido pelo tribunal, no âmbito do processo que envolve a seita religiosa ?Luz Mundo?, de José Kalupeteka, acusado de nove crimes de homicídio qualificado, com objectivo de explicar questões relacionadas à legalidade da mesma.

Ouvido em juízo na condição de declarante, o responsável declarou que, apesar de aparecer nos autos do processo de instrução preparatória na qualidade de delegado da Justiça e dos Direitos Humanos, nunca participou em qualquer reunião entre os membros do Governo e fiéis da seita Kalupeteka, motivo pelo qual, desconhece qualquer registo de reconhecimento por parte das autoridades.

Ernesto Estevão Pedro explicou que o Estado não intervém na doutrina das igrejas, mas nos termos do decreto 135/14, de 13 de Maio, compete a delegação da Justiça e dos Direitos Humanos receber, analisar e encaminhar os processos de pedido de reconhecimento aos órgãos competentes e, também, receber as devidas respostas e encaminhá-las os interessados, facto que não ocorreu com líder da referida seita.

“Apesar de a extinta seita Luz do Mundo não estar reconhecida no momento dos factos do dia 16 de Abril do ano transacto, é bom que se esclareça que o julgamento do cidadão José Kalupeteka e dos nove seguidores, não se deve ao reconhecimento, mas à desobediência e a resistência contra as autoridades, segundo as acusações do Ministério Público”, aclarou o responsável.

O tribunal ouviu também os agentes da Polícia Nacional Filipe João Tchissingue, Francisco Kandumbo, João Silva Dinis e Manuel André Prego, presentes no Monte Sumi, no dia em que foram assassinados nove membros da corporação por seguidores da seita “Luz do Mundo”, aquando do cumprimento de um mandado de captura emitido pela Procuradoria Geral da República na província do Bié contra o líder da mesma, o cidadão José Julino Kalupeteca.

Os mesmos confirmaram à instância terem visto os fiéis de Kalupeteka munidos de paus aguçados (mocas), instrumento que segundo as acusações do Ministério Público foram usados para o assassinato dos polícias.

O Ministério Público acusa, em tal processo, os co-arguidos de co-autoria moral e concurso real nos crimes de homicídio qualificado, sob forma frustrada; homicídio qualificado, sob a forma consumada; crime de desobediência; de danos materiais; de resistência e de posse ilegal de arma de fogo, previstos e puníveis pelo Código Penal e legislação avulsa vigente.

As audições aos declarantes prosseguem hoje, sexta-feira. (ANGOP)

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