Huambo: Seguidor de Kalupeteka confirma fabrico de “mocas” um dia antes dos confrontos com à Policia

Julgamento do líder da Seita religiosa Luz do Mundo, Julino Kalupeteka (Foto: Júlio Vilinga/Angop Huambo)

O co-réu Gabriel Esperança Justino, de 54 anos da idade, acusado de crime de homicídio, que envolve o líder da seita religiosa “Luz do Mundo”, José Kalupeteka, confirmou nesta quarta-feira, no Tribunal do Huambo, ter encontrado quatro membros da organização a fabricarem paus aguçados (mocas) um dia antes dos confrontos que vitimou nove agentes da Polícia Nacional.

O réu, que antes da sua detenção exercia a função de enfermeiro num dos centros de saúde pública do município da Caála, disse ser membro e seguidor do auto-intitulado servo de Deus, mas que em momento algum envolveu-se nos crimes de que é acusado pelo Ministério Público.

No terceiro dia do julgamento, iniciado segunda-feira, o réu confessou em juízo ter visto quatro membros e seguidores da seita a fabricarem estes instrumentos, que segundo o Ministério Público foram usados para o assassinato dos agentes da Polícia Nacional, desconhecendo o objectivo da fabricação de tais objectos por ter sido a sua primeira viagem ao Monte Sumi.

No prosseguimento das audições foram ouvidos ainda os co-réus Agostinho Canguengue e Carlos Cussucula, que ao contrário de Gabriel Esperança Justino, limitaram-se a responder as questões que convinha à defesa, descurando-se do interrogatório do Ministério Público.

Todavia, os dois arguidos assumiram-se como seguidores de quem chamaram de “pai Kalupeteka” para justificar que a sua estada no Monte Sumi devia-se às perseguições que vinham sofrendo de membros de igrejas em que pertenciam antes de ingressarem à organização.

Noutra parte do interrogatório, os réus confirmaram da existência de uma guarnição no local, tendo em conta a presença constante de cidadãos desconhecidos e de falsos professores, que por sua vez se deslocavam ao local acompanhados da Bíblia Sagrada e quantidades não especificadas de estupefacientes (vulgo liamba), com propósito de desviarem os féis da seita para condutas nada abonatórias.

Até ao momento foram ouvidos oito arguidos dos 10 acusados de crime de homicídio qualificado.

O interrogatório prossegue quinta-feira com audição dos co-réus Hossi Luacuty Vilinga e José Julino Kalupeteca, este último, líder da seita e acusado de nove crimes de homicídio qualificado. Na mesma sessão serão igualmente ouvidos os declarantes.

No processo, o Ministério Público acusa os co-arguidos de co-autoria moral e concurso real nos crimes de homicídio qualificado, sob forma frustrada; homicídio qualificado, sob a forma consumada; crime de desobediência; de danos materiais; de resistências e de posse ilegal de arma de fogo, previstos e puníveis pelo Código Penal e legislação avulsa vigente.

Durante a fase de inquérito e instrução preparatória, o Ministério Público ouviu 89 seguidores de Kalupeteca, detidos com o seu líder, dos quais 79 foram postos em liberdade por não se ter provado o seu envolvimento nos crimes alegados no processo.

As acusações deduzidas pelo Ministério Público, de acordo com o processo, assentam nas provas documentais, materiais e fotos.

O incidente ocorrido monte do Sumi, no município da Caála, 49 quilómetros da cidade do Huambo, resultou no assassinato de nove agentes da Polícia Nacional, por elementos afectos esta seita religiosa, quando o efectivo cumpria um mandado de captura contra o líder desta organização, emitido pela Procuradoria-Geral da República na província do Bié.

Entre as vítimas consta o comandante da corporação no município Caála, superintende-chefe Evaristo Catumbela, o chefe das operações da Polícia de Intervenção Rápida nesta província, intendente Luhengue Joaquim José, o instrutor da Polícia de Intervenção Rápida, sub-inspector Abel do Carmo, o 1º sub-chefe João Nunes, os agentes Luís Sambo, Castro Hossi, Manuel Lopes e Afonso António, assim como o delegado do Serviço de Inteligência e Segurança Interna do município da Caála, António Afonso. (ANGOP)

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