Huambo: Julgamento de Kalupeteca prossegue com audição aos declarantes

Reús co caso Kalupeteka (Foto: Júlio Vilinga)

O julgamento do líder da seita Adventista do Sétimo Dia “Luz do Mundo”, José Julino Kalupeteka, e mais nove seguidores, que decorre no Tribunal Provincial do Huambo, retomou hoje com audição aos declarantes.

Depois de na semana passada terem sido interrogados os acusados, são ouvidos a partir de hoje os declarantes Joaquim Pereira, Miguel Somakessenje, Victor Chissingui, Luciano António Clara, Francisco Candumbu e Augusto Sambo.

São também arrolados como declarantes Tomás Alberto Daniel, Filipe João Quissingui, João da Silva Dinis, Higino Capiñgala, Benfica João, Pedro Nambongue Chissanga, entre outros.

No processo, o Ministério Público acusa os co-arguidos de co-autoria moral e concurso real nos crimes de homicídio qualificado, sob forma frustrada; homicídio qualificado, sob a forma consumada; crime de desobediência; de danos materiais; de resistências e de posse ilegal de arma de fogo, previstos e puníveis pelo Código Penal e legislação avulsa vigente.

As acusações deduzidas pelo Ministério Público, de acordo com o processo, assentam nas provas documentais, materiais e fotos tábuas.

O incidente ocorrido Monte Sumi, no município da Caála, 49 quilómetros da cidade do Huambo, resultou no assassinato de nove agentes da Polícia Nacional, por supostos elementos afectos a esta seita religiosa, quando o efectivo cumpria um mandado de captura contra o seu líder, emitido pela Procuradoria-Geral da República na província do Bié.

Entre as vítimas, consta o comandante da corporação no município Caála, superintende-chefe Evaristo Catumbela, o chefe das operações da Polícia de Intervenção Rápida nesta província, intendente Luhengue Joaquim José, o instrutor da Polícia de Intervenção Rápida, sub-inspector Abel do Carmo, o 1º sub-chefe João Nunes, os agentes Luís Sambo, Castro Hossi, Manuel Lopes e Afonso António, assim como o delegado do Serviço de Inteligência e Segurança Interna do município da Caála, António Afonso.

Na sua audição, José Julino Kalupeteka negou o envolvimento nos confrontos entre os seus seguidores e a Policia Nacional, bem como o abaixamento de “qualquer orientação” aos fiéis sobre a presença do efectivo da Polícia Nacional.

Declarou que no dia dos confrontos encontrava-se no pátio da sua residência no Monte Sumi com mais sete jovens, de quem não conseguiu dizer o paradeiro dos mesmos.

Afirmou que não sabe do número exacto dos agentes que se deslocaram naquele dia ao Monte, recordando-se apenas de três, um dos quais o saudou e o tentou deter, pois conseguiu escapar após disparos que, segundo ele, desconhece os autores.

Disse que ficou a saber da morte dos nove agentes apenas no estabelecimento prisional do Huambo através do noticiário da rádio, incluindo do seu seguidor Carlos Justino, com quem conversou um dia antes dos confrontos sobre a vida espiritual dos fiéis.

Na semana transacta, o tribunal apresentou também os instrumentos alegadamente utilizados para assassinar os nove polícias.

Foram apresentadas quatro armas de fogo, sendo duas do tipo AKM e igual número de caçadeiras, 55 paus aguçados (mocas), nove catanas, oito machados, duas facas de cozinha, uma picareta, igual número de zagaia, duas enxadas e um sacho, instrumentos, que segundo o Ministério Público, foram usados para o assassinato dos agentes da Polícia Nacional. (ANGOP)

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