Haitong: Ausência de uma solução para Angola vai manter BPI “sob pressão”

(Miguel Baltazar/Negócios)

Os accionistas do BPI continuam sem chegar a um entendimento em relação à forma como o banco vai reduzir a exposição a Angola. Uma questão que, segundo o Haitong, vai continuar a pesar nas acções.

O BPI recusou vender 10% do BFA a Isabel dos Santos após “muitas conversas” com o Banco Central Europeu (BCE). Descartada esta possibilidade para o banco português reduzir o risco de concentração a Angola, resta a proposta do BPI para transferir para os seus accionistas os activos africanos, uma solução com “morte anunciada”, pois será vetada pela Unitel. Um impasse que, na opinião do Haitong, “pode continuar a pesar na acção”.

O BPI está num impasse para resolver o excesso de exposição em relação ao risco em Angola. “A visibilidade em relação a uma solução do BPI para o seu risco de concentração em Angola continua baixa”, destaca o analista do Haitong, Filipe Rosa. Num comentário ao facto de o BPI ter recusado a proposta de Isabel dos Santos, o especialista realça que “a solução vai mais provavelmente depender de uma desconsolidação do Banco do Fomento de Angola (BFA)”.

Excluída a venda do controlo do BFA a Isabel dos Santos, o BPI leva a assembleia-geral de accionistas, no próximo dia 5 de Fevereiro, a proposta para passar os activos em África para os seus accionistas. Mas a angolana, que controla a Unitel, já “se opôs publicamente a esta alternativa e o plano de cisão também dependeria da aprovação da Unitel devido ao acordo de accionistas existente no BFA”.

O BPI precisa encontrar em breve uma solução para reduzir a sua exposição a Angola. Mas “os principais accionistas do BPI parecem longe de chegarem a uma solução e o banco está a aproximar-se do prazo definido pelo BCE”, alerta o Haitong.

Numa nota publicada esta quinta-feira, o CaixaBI refere que, “de acordo com alguns comentários públicos, o BPI terá até ao final do primeiro trimestre de 2016 para solucionar o tema da ultrapassagem do limite de grandes riscos em Angola pelo que se devem esperar desenvolvimentos em relação a este tema nas próximas semanas”.

Angola é, actualmente, a principal fonte de rentabilidade do BPI. O BFA representou 57% do lucro obtido pelo BPI, no ano passado. O banco liderado por Fernando Ulrich recebeu um contributo de 135,7 milhões de euros do BFA em 2015, uma apropriação 16% superior ao contributo recebido um ano antes. (Jornal de Negocios)

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