Guterres é candidato à ONU por sentir “obrigação” de “pôr a render experiências”

(Reuters)

O ex-primeiro-ministro português confirmou que é candidato a secretário-geral da ONU, procurando suceder ao sul-coreano Ban Ki-moon, que termina o mandato no final do ano. Guterres admite que será uma luta difícil.

António Guterres confirmou esta segunda-feira à noite, no final de uma conferência sobre refugiados em Serralves, no Porto, que é candidato a secretário-geral da ONU, um cargo actualmente desempenhado pelo sul-coreano Ban Ki-moon, que termina o mandato a 31 de Dezembro deste ano. O ex-primeiro-ministro português admite que a candidatura não será fácil, mas diz-se disponível para lutar pelo cargo, por sentir a “obrigação” de “pôr a render” a experiência que adquiriu ao longo da vida.

Guterres foi, até Dezembro último, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. A candidatura à ONU foi anunciada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros na semana passada, e o ex-primeiro-ministro diz que aceita “com grande honra” a iniciativa do Executivo liderado por António Costa.

Em declarações à Lusa, Guterres enumerou as razões que o levam a entrar na corrida pela organização, com sede em Nova Iorque. “Tudo o que aprendi ao longo da vida, em todas as enormes oportunidades que me foram oferecidas, me cria a obrigação de estar disponível, numa lógica que sempre foi de serviço público”, começou por dizer.

“Num mundo em situação muito difícil”, torna-se especialmente premente avançar para “pôr a render essas experiências e capacidades ao serviço das causas mais nobres, que são a paz, os direitos humanos, causas humanitárias e sustentabilidade do planeta”, revelou.

A candidatura não será fácil, admite Guterres, especialmente porque até agora nenhuma mulher assumiu o cargo de secretária-geral da ONU e a Europa de Leste surge como a região mais bem posicionada para designar o sucessor de Ban Ki-moon. “Esta não é uma candidatura fácil. Não posso ser contrário à ideia de que também as mulheres têm que ter uma oportunidade em relação aos altos cargos”, reconhece, citado pela TSF.

“Por outro lado, há questões de organização das Nações Unidas em relação às diversas regiões. Tudo isto tem uma grande complexidade”, acrescenta. Ainda assim, a atitude de Guterres “é muito simples: é de disponibilidade”. As eleições deverão

“A personalidade com melhores condições”

No comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, divulgado a 22 de Janeiro, o Executivo considera que António Guterres é a “personalidade com melhores condições para exercer esse mandato” de secretário-geral da ONU, considerando que a “longa experiência política e a forma exemplar” como Guterres “exerceu altos cargos internacionais demonstram cabalmente os méritos desta candidatura”.

António Costa, e o PS, viam António Guterres como o candidato ideal para as eleições presidenciais, ganhas por Marcelo Rebelo de Sousa no passado domingo, mas o ex-primeiro-ministro colocou-se de fora da corrida de olho na possível sucessão de Ban Ki-moon. O sul-coreano, que está no cargo desde 2006, termina o mandato a 31 de Dezembro deste ano.

Búlgaras Irina Bokova e Kristalina Georgieva são favoritas

A eleição do nono secretário-geral ainda não tem data marcada, mas deverá ter lugar em Setembro, antecipa o Financial Times. Já há outros quatro candidatos oficiais – isto é, que já receberam o apoio dos seus países – além de Guterres. A directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, será uma das mais fortes candidatas, defendia em Julho do ano passado Dick Roche, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, pois é búlgara e mulher. É também esse o caso de Vesna Pusic, ministra dos Negócios Estrangeiros da Croácia. Na corrida estão ainda o macedónio Srgjan Kerim, presidente da Assembleia-Geral da ONU, e o ex-presidente esloveno Danilo Türk.

Há ainda outros nomes em cima da mesa que não têm ainda o apoio oficial dos seus respectivos países. Segundo o Financial Times, além de Bokova, há outra búlgara que também encabeça a lista dos favoritos: Kristalina Georgieva, actual vice-presidente da Comissão Europeia. Sófia começou por anunciar o apoio a Bokova no ano passado, mas com a mudança de Governo, o jornal sugere que Georgieva poderá ser a escolha da Bulgária, pois é da mesma família de centro-direita.

O FT admite ainda que a própria Angela Merkel, actual chanceler alemã, pode ser candidata, usando uma candidatura à ONU como forma de escapar dos problemas que enfrenta na Alemanha devido às políticas adoptadas para acolher refugiados. Apesar disso, não há nenhuma garantia de que Merkel possa entrar na corrida.

A decisão sobre o novo secretário-geral será tomada pela Assembleia Geral da ONU, através da sugestão do poderoso Conselho de Segurança (composto pela China, Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia). A geopolítica irá desempenhar um papel importante na escolha do novo secretário-geral. (Jornal de Negocios)

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