Guterres, CPLP e Arraiolos são prioridades na política externa de Marcelo

O futuro Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa tem um carinho especial por África Foto: D.R

Futuro Presidente quer dar novo impulso a grupo de Arroiolos, reforçar a posição de Portugal na CPLP e ajudar a candidatura do antigo primeiro-ministro à Organização das Nações Unidas (ONU).

Mais do que a “diplomacia do croquete” ou meras visitas de Estado, Marcelo tem um plano para a diplomacia externa presidencial. Revitalizar o Grupo de Arraiolos, ajudar a eleger António Guterres como secretário-geral da ONU, reforçar o papel de Portugal na CPLP e cooperar com o governo no reforço do projeto europeu são as prioridades do futuro Presidente, apurou o DN junto de fontes próximas de Marcelo Rebelo de Sousa.

Um dos conselheiros do futuro Presidente ao longo dos últimos meses explicou ao DN que Marcelo pretende “dar um novo impulso ao Grupo de Arraiolos e revitalizá-lo, já que o professor Cavaco Silva não deu esse impulso”.

O grupo de Arraiolos é um grupo que nasceu na cidade alentejana que lhe dá nome e reúne anualmente os chefes de Estado europeus sem poderes executivos. Foi criado por Jorge Sampaio e Marcelo pretende agora dar-lhe mais força, inclusivamente “promovendo o alargamento do grupo”.

Esta será assim uma plataforma, segundo fonte próxima de Marcelo, através da qual o futuro Presidente “fará a colaboração com o governo, no sentido de afirmar a posição de Portugal na Europa e de defender o projeto europeu”. Além disso, assegura a mesma fonte, Marcelo “será ativo e participativo em toda a frente europeia”, isto claro, “sem se intrometer no papel do governo”.

“Imenso carinho” por África

Marcelo tem ainda, de acordo com o conselheiro ouvido pelo DN, “imenso carinho” por África – em particular pela ligação a Moçambique – daí que vá também “estimular a posição de Portugal na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)”. O Presidente eleito, que também tem várias ligações ao Brasil (os netos moram lá) quer aproveitar o desinvestimento da superpotência da América do Sul na CPLP para afirmar Portugal como um dos países mais influentes da comunidade.

A própria CPLP saudou a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa, através do secretário-executivo da entidade. O diplomata moçambicano Murade Murargy destacou que Marcelo “é um grande apoiante do crescimento da CPLP” e acrescentou: “Espero contar com ele, no pouco tempo que me resta como secretário-executivo [até julho próximo], para colaborar com ele e ouvir as suas próprias opiniões sobre o futuro da organização”.

Fonte próxima de Marcelo disse ainda que a Guiné Equatorial não será um problema para o futuro Presidente. “Obiang [ditador daquele país] é um assunto que já transitou em julgado. Já é membro da CPLP. Está feito. Não há nada a fazer.”

Um outro assunto que o próprio Marcelo já assumiu publicamente que será uma prioridade na sua diplomacia é ajudar a candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU.

Marcelo aplaudiu, ainda em campanha eleitoral, o facto do governo propor o nome d e Guterres. Mas fez mais do que isso, chamou a si as responsabilidades de ajudar nessa eleição: “É uma missão, uma tarefa conjunta do Presidente da República, do Governo, da diplomacia portuguesa para o próximo ano e sobretudo para os próximos meses.”

Quanto à questão da diplomacia económica, Marcelo deixará essa parte para o executivo, não deixando de se fazer acompanhar de comitivas de empresários quando achar útil para o país (e serão estes a custear as próprias viagens, tal como já acontecia com Cavaco Silva). Aliás, embora elogie as exportações, Marcelo é um defensor do estímulo do mercado interno, de forma a melhorara a vida dos portugueses. Quer que ambas as visões económicas se conjuguem, o tal “tricot miudinho” que se compromete a fazer entre as políticas de Passos Coelho e António Costa para gerar consensos.

Marcelo promete afeto

Entretanto, Marcelo vai continuando a arrumar a sua vida “civil” (hoje tem a última reunião no Conselho Científico da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa) e a preparar o futuro no palácio de Belém. Ontem o Presidente eleito enviou mesmo um e-mail ao DN e a outras redações com o título “Obrigado Portugal !”, dirigido aos portugueses.

Marcelo – que se diz oriundo da esquerda da direita – voltou a repetir a frase de abril ” o povo é quem mais ordena”, acrescentando que “desta vez o povo ordenou e acreditou na abertura de um ciclo de renovação da esperança e de proximidade.”

Marcelo considera que este novo ciclo “é da maior importância, ao prepararmos o país para a saída da crise.” O futuro chefe de Estado acrescentou ainda que “todas as portuguesas e todos os portugueses contam, e contarão sempre, com o meu afeto.”

Marcelo prometeu ainda dar “tudo” e o “melhor” pelo país, uma vez que “Portugal merece o meu melhor, e o melhor de todos nós.” Em vez de uma despedida formal, Marcelo terminava a comunicação com “um abraço amigo”.

O candidato enfrentou ontem a ira do Movimento (d)Eficientes Indignados, por ter estacionado na segunda-feira num lugar para deficientes, enquanto era filmado pela SIC. Em carta aberta ao professor, os deficientes dão “uma aula subordinada ao tema “cidadania e civismo”” e acusam Marcelo de mostrar “uma forte carência de conhecimentos nesse domínio (…) [o que é]Inqualificável para um futuro Presidente da República.” (Diário de Notícias)

por Rui Pedro Antunes

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