Fecho dos mercados: China impulsiona bolsas e matérias-primas. Juros recuam

(Bloomberg)

As bolsas europeias avançaram pela primeira vez em quatro sessões, após a publicação do PIB da China. O petróleo e os metais industriais estão a avançar. Os juros nacionais recuaram.

Os mercados em números

PSI-20 subiu 0,55% para 4.679,01 pontos

Stoxx 600 subiu 1,31% para 332,93 pontos

S&P 500 valoriza 0,65% para 1892,47 pontos

“Yield” a 10 anos de Portugal recua 0,2 pontos base para 2,767%

Euro avança 0,11% para 1,0904 dólares

Petróleo sobe 3,43% para 29,53 dólares por barril, em Londres

Bolsas europeias no “verde”

As bolsas europeias avançaram, após três sessões de perdas. O Stoxx 600, o índice que agrega as 600 maiores empresas do Velho Continente, avançou 1,31% para 332,93 pontos, afastando-se de mínimos de Dezembro de 2014. A divulgação do crescimento de 6,9% da economia chinesa em 2015, o ritmo mais lento dos últimos 25 anos, levou os analistas a anteciparem a implementação de mais estímulos, impulsionando as acções. Adicionalmente, o abrandamento foi inferior ao esperado pelos analistas, diminuindo os receios em torno de uma aterragem brusca da segunda maior economia mundial. Entre as principais praças europeias, a bolsa grega destacou-se, ao subir 2,68%, seguida pelo francês CAC40, que avançou 1,97%.

Em Lisboa, o PSI-20 também subiu, pela primeira vez em quatro sessões, mas com ganhos menos expressivos. Avançou 0,55% para 4.679,01 pontos, impulsionada pelo sector energético. A Galp Energia valorizou 1,11% para 9,59 euros e a EDP ganhou 1,33% para 3,307 euros. O BCP destacou-se pela negativa ao afundar 9,95% para 3,5 cêntimos, um mínimo de Setembro de 2012.

Juros e prémio de risco aliviam

Os juros da dívida soberana portuguesa recuaram no mercado secundário na maioria das maturidades, na véspera da realização de um duplo leilão de bilhetes do Tesouro a seis meses e 12 meses. A “yield” das obrigações a 10 anos, considerada a maturidade de referência, caiu 0,2 pontos base para 2,767%, acompanhando a tendência registada nos países periféricos da Zona Euro. Pelo contrário, os juros das “bunds” alemãs subiram 1,2 pontos base para 0,549%. Assim, o prémio de risco caiu para 221,8 pontos, depois de ter atingido máximos de Julho na sessão anterior.

Euribor a seis meses fixa novo mínimo

As Euribor a três, seis, nove e 12 meses recuaram esta quarta-feira. A Euribor a três meses caiu de -0,142% para -0,143%, aproximando-se do actual mínimo histórico (-0,144%). O indexante a seis meses, o mais utilizado no crédito à habitação em Portugal, caiu para -0,056%, fixando um novo mínimo histórico. A Euribor a nove meses caiu para -0,011% e a taxa a 12 meses desceu para 0,048%.

Libra em mínimos de 2009

A libra caiu para o valor mais baixo desde 2009, após o governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, ter dito que ainda não é altura de subir os juros de referência. A divisa britânica recuou um máximo de 0,79% para 1,4130 dólares, um mínimo de Fevereiro de 2009, invertendo os ganhos que tinham sido suscitados pela subida da inflação, em Dezembro. A libra segue a cair 0,47% para 1,4776 dólares.

Petróleo sobe em Londres

O petróleo está a transaccionar sem tendência definida nos mercados internacionais, subindo em Londres e recuando em Nova Iorque. O Brent, negociado em Londres, está a avançar 3,43% para 29,53 dólares por barril, afastando-se do mínimo de 12 anos que renovou na sessão anterior. Com a expectativa da chegada de mais petróleo ao mercado, após o levantamento das sanções internacionais ao Irão, o Brent afundou para os 27,67 dólares, na segunda-feira. Esta terça-feira, a publicação do PIB na China, que abrandou menos do que o estimado pelos analistas, diminuiu a perspectiva pessimista para a evolução da procura, levando o Brent a cotar acima dos 30 dólares durante a sessão. O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, segue a desvalorizar 0,92% para 29,15 dólares por barril.

China impulsiona metais industriais

Os metais industriais estão a valorizar, após a publicação do PIB da China. A economia chinesa cresceu 6,9% em 2015, o ritmo mais lento dos últimos 25 anos. Ainda assim, o crescimento foi superior ao estimado pelos analistas, levando a uma expectativa de maior procura pelo maior consumidor de metais a nível mundial. O cobre está a subir 1,6% para 4.448,5 dólares por tonelada métrica. O níquel sobe 1,93% para 198,10 dólares. Pelo contrário, o ouro está a recuar 0,34% para 1.086,01 dólares por onça, com a diminuição da procura por activos de “refúgio”.

Destaques do dia

Há 41 fundos espanhóis apanhados na malha do Novo Banco. Até ao momento, 41 carteiras de obrigações, sob o comando de 15 sociedades gestoras, anunciaram ter sofrido com a decisão do Banco de Portugal que capitalizou o Novo Banco. Alguns fundos perdem mais de 10% do património.

Commerzbank: Políticas do Governo podem ameaçar dívida e competitividade. O banco alemão alerta que as taxas da dívida portuguesa correm o risco de subir em Março, na antecipação da análise da DBRS ao “rating” nacional.

Haitong: Mesmo depois da queda, Mota-Engil “não está interessante” O banco de investimento alerta para os vários riscos em torno da construtora. Neste sentido, apesar de os títulos estarem agora mais baratos, não recomenda aos investidores a compra. Mantém uma posição “neutral”.

Concorrência tem ditado queda dos “spreads”, dizem os bancos. Os critérios de concessão de empréstimos permaneceram, no geral, estáveis no último trimestre do ano passado. Quem o diz são as instituições financeiras.

AIE alerta para queda ainda mais expressiva do petróleo por causa do Irão. Os preços da matéria-prima encolheram em um quinto desde o início do ano, mas podem continuar a cair. O excesso de oferta pode “afogar” o mercado, arrasando com as cotações nos mercados internacionais.

Como os grandes fundos soberanos estão a ajudar a afundar os mercados. A forte queda dos preços do petróleo, que seguem a negociar abaixo de 30 dólares por barril, está a forçar os fundos soberanos de países produtores de crude a vender activos nos mercados e a aumentar a pressão vendedora

O que vai acontecer amanhã

Fórum Económico em Davos. Tem início o Fórum Económico Mundial, que decorrerá até 23 de Janeiro, no qual participam nomes de relevo no panorama político e empresarial de todo o mundo.

IGCP faz leilão de curto prazo. O Tesouro vai emitir bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses, uma operação que estava já prevista mas que terá um montante superior, entre 1.250 milhões de euros e 1.500 milhões de euros.

Resultados. O Goldman Sachs publica os resultados do quarto trimestre de 2015. Em Lisboa, a Sonae divulga os resultados operacionais preliminares, em 2015, após o fecho dos mercados.

Estatísticas nacionais. O INE publica a síntese económica de conjuntura, relativa a Dezembro.

Inflação nos EUA. Os EUA divulgam o índice de preços no consumidor, relativo a Dezembro. (Jornal de Negocios)

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