Elias Diá Kimuezo figura de destaque na maka à Quarta-feira

Presidium do encontro que abordou a carreira do músico Elias Dya Kimuezo (Foto: António Escrivão)

Aos 80 anos de idade, Elias Diá Kimuezo, o rei da música angolana foi a figura de destaque no programa Maka à Quarta-feira numa promoção da União dos Escritores Angolanos (UEA), tendo como palco a sede da referida instituição.

O programa de debates e trocas de ideias movimentou a sede da UEA fãs, amigos, familiares e jornalistas que foram buscar/beber um pouco mais sobre a trajectória de uma ilustre e incontornável figura do music hall angolano.

Neste encontro, abordou-se várias facetas do rei. Desde a sua vertente solidária, do talento reconhecido desde os primeiros anos de carreira, à postura enquanto chefe de família e que lhe renderam dez filhos, 40 netos e sete bisnetos.

Marta Santos, autora do livro “A voz e o Percurso de um Povo”, uma biografia do rei da música angolana, falou na ocasião das peripécias por que passou para compor o livro que retrata o percurso artístico e a vida de Elias Diá Kimuezo que no passado dia 2 completou 80 anos de idade, 60 dos quais dedicados à música.

Amigos, família, colegas de profissão, agentes culturais e jornalistas deram testemunho das experiências passadas ao lado de Elias Diá Kimuezo. Mas, mais uma vez nada se projectou para atenuar os constrangimentos do cantor que, por mais tempo, vai continuar a lamentar e a confiar na gestão divina.

Ao fim de várias décadas, o rei da música angolana ainda sente na pele as dificuldades impostas pela vida que, por vezes, são atenuadas por iniciativas de solidariedade oriundas de confrades seus e não só.

O mais recente disco do artista, por exemplo, foi gravado em 2016, mas o próprio teve de suportar, impacientemente, dez anos para ver editada a obra. A falta de dinheiro próprio para publicar o trabalho associada a promessas incumpridas atrasaram por dez anos o lançamento do disco “O Semba Passa por Aqui”.

Dos confrangimentos financeiros o artista não se lamenta muito, talvez pela experiência imposta pelos seus 80 anos de vida e revelada na sua voz trémula, mas naturalmente audível. Insiste nas dificuldades causadas pela falta de um meio de transporte próprio e deixa o resto sob a gestão divina.

“Sou um indivíduo que neste momento anda de candongueiros, de carrinhas. Com a idade que tenho já devia ter um meio de transporte próprio. Mas pronto, Deus é só um, e filhos são todos nós”, queixou-se o rei numa entrevista à Angop, à margem da Maka à Quarta-feira.

Ao estatuto atribuído pelo Centro de informação e Turismo de Angola (o precedente do Ministério da Hotelaria e Turismo), ainda no tempo colonial, a Elias Diá Kimuezo, não foi acoplada a pompa e a circunstância, assim como todo e qualquer meio material inerente a gestão de um “reinado”.

Paralelamente ao debate, houve também uma sessão de venda e assinatura de autógrafos do seu mais recente disco “O semba por aqui”.

Elias Diá Kimuezo começou a carreira em 1950 como compositor no grupo “Ginásio”. Em 1956, surge como intérprete e tocador de bate-bate no conjunto Kizomba, do Sambizanga.

Elias José Francisco nasceu no dia 2 de Janeiro de 1936 no bairro Marçal.

A sua constante frequência no Samba Kimúngua, na zona do Bungo em Luanda, onde residiam vários operários do Porto e dos Caminhos-de-ferro que tocavam e dançavam o Kinganje, fez com que descobrisse, aos 15 anos de idade, a sua vocação artística, que o leva a integrar-se na Turma do Margoso, como vocalista principal e tocador de bate-bate.

Dois anos mais tarde, muda-se para o agrupamento Os Kizombas, que naquela altura tocava nas farras do Salão Malanjinho, no Bairro do Sambizanga. Com o tempo foi-se aprimorando na arte de cantar e tornando-se cada vez mais conhecido.

Em 1972, pelo seu abnegado trabalho em prol da música, recebe uma estatueta referente aos “11 mais da cidade de Luanda”, que premiava as 11 figuras mais destacadas nas diversas áreas profissionais e sociais na cidade de Luanda.

No ano de 1974, fruto do intenso trabalho de mobilização, é preso com seu irmão mais novo “Chico Suiça” e remetidos de imediato para “São Nicolau”- Campo I das Salinas, caserna III, donde saíram após clarificação do processo de descolonização e o Sistema ser obrigado a tratar da libertação de todos os presos, principalmente os do foro político.

Desde os meados da década de 60 que Elias Diá Kimuezo, pela qualidade do seu trabalho e a constância do seu desempenho, foi considerado como “O Rei da Música Angolana”.

Elias Diá Kimuezo tem no seu baú temas como “Leonor”, “Toy Sofia”, “Ressurreição”, “Caminho-de-ferro”, “Mwenho ua mundo”, “Nzala”, “Agostinho Neto” e “Samba Madié”. (ANGOP)

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