Diversificar com Estratégia

Victor Aleixo Director da Revista Figuras & Negócios (Foto: D.R.)

Interessa a definição de políticas proteccionistas que possam incentivar o empresariado nacional a se engajar com mais empenho na produção, sem que isso venha significar um riscar completo dos ditames da economia de mercado que o País livremente abraçou. 

Não sendo nada animadoras as notícias quanto a produção do petróleo no mundo, cuja tendência aponta para preços baixos, causando embaraços sérios àqueles paises produtores, como Angola, que durante muito tempo equilibravam o seu PIB fundamentalmente com essa riqueza, o momento é importantissimo para se definirem estrategias seguras e determinantes que possam levar o nosso País a diversificar a sua economia aproveitando da melhor forma as enormes potencialidades dos recursos naturais que possui.

Desde logo, se precisará de uma estratégia na definição de linhas mestras que possam mobilizar as energias para que Angola volte a ser um Pais produtor cujo caminho, no entanto, não é o que vem sendo seguido, de se cantar aos quatro ventos que o momento é da diversificação da economia, como se gritar este slogan imediatamente o milagre da produção e do país produtivo surte os seus efeitos.

Mais complicado é que essa transformação que se impõe no comportamento da nossa economia, que há muito adormeceu nos efeitos que a venda do petróleo proporciona, tem de ser operada quando os cofres públicos apresentam-se furados, o que tem obrigado a cortes significativos no orçamento nacional que as autoridades governamentais haviam estabelecido para o aceleramento do desenvolvimento. Dai que a sapiência seja mais necessária, pelo que se assume como primordial a definição de prioridades quanto aos sectores que nesta fase deverão merecer a melhor atenção. E nisso estamos a falar da prioridade na produção agro-pecuária, numa atitude que possa levar, em tão pouco tempo, Angola a deixar de ser um País importador de produtos do campo e consiga produção suficiente que contribua para a eliminação da fome e pobreza.

E quando falamos na definição de uma estrategia para que a questão da diversificação da nossa economia desta vez não fique apenas em intenções, vale recordar que para isso é muito importante, fundamental mesmo, que se resolva, num horizonte temporal medio/curto, a questão do abastecimento em pleno da energia e da água de forma que as produções que venham a sair da terra possam ser altamente competitivas quando comparadas com os mesmos produtos importados. Na verdade, hoje, em função das dificuldades naqueles dois produtos, e com as poucas unidades de produção a terem de sustentar o seu ciclo produtivo à base de geradores e carros cisternas os custos do produto final, são muito altos.

Mas, mais do que tudo, interessa igualmente a definição de políticas proteccionistas que possam incentivar o empresariado nacional a se engajar com mais empenho na produção, sem que isso venha significar um riscar completo dos ditames da economia de mercado que o País livremente abraçou. A título de exemplo, aliás vale recordar que o Brasil, cuja experiência se conhece, teve de proteger o seu sector produtivo, criando nomeadamente isenções fiscais para sectores tão importantes na afirmação do seu tecido económico, e nem por isso deixou de ser referenciado como uma das indústrias mais desenvolvidas do mundo.

Na verdade, a Embraer, importante empresa na produção de aviões, hoje se afirma no mundo porque continua a beneficiar de uma atenção especial do seu governo, traduzida na isenção fiscal de cerca de 80% dos produtos que importa para incorporar na produção de aviões, com os resultados que se conhecem em termos de robustez da empresa.

Se esses factores referidos encontrarem suporte numa gestão que dê provas de um combate à corrupção, combinada com a diminuição da impunidade, ganhar-se-á rapidamente um indicador de confiança forte que a Sociedade precisa para se vencer o desafio para que o País volte a respirar momentos saudáveis do ponto de vista económico.

O caminho não pode ser outro! (figuras&negocios)

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