Declarantes do “Governo de Salvação Nacional” por notificar

(DW)

O julgamento dos 15+2 prossegue na segunda-feira, mas vários nomes na lista do chamado “Governo de Salvação Nacional” ainda não foram notificados para comparecer em tribunal. “Não sei absolutamente nada”, diz um deles.

O julgamento dos “revús” retoma a 25 de Janeiro depois de ter sido suspenso por ausência, na última terça-feira (12.01), dos declarantes e testemunhas que figuram na lista do chamado “Governo de Salvação Nacional” , cuja autoria é atribuída pela acusação aos 17 activistas. Somente o padre Pio Wakussanga, proposto na lista para presidente da Comissão Nacional Eleitoral, foi ouvido.

A activista Ermelinda Freitas, sugerida para directora do Instituto Nacional da Criança (INAC) na lista que surgiu nas redes sociais, diz que ainda não foi notificada. O mesmo sucede ao jornalista e antigo deputado Makuta Nkondo, com o cargo de “ministro da Cultura” no rol do “Governo de Salvação Nacional”:

“Não fui notificado, nem por e-mail, nem por telefone. Não tenho nenhuma notificação. Não sei absolutamente nada”, afirma.

“Brincadeira”

Nkondo diz, no entanto, que está preparado para depor no julgamento dos “revús”, caso seja citado: “Eu vou comparecer se me notificarem. A notificação tem de chegar às minhas mãos. Eu tenho de ler e assinar.”

Ermelinda Freitas também explica que só comparecerá se receber a notificação do tribunal. Entretanto, questiona o sistema de justiça e apelida o julgamento dos 17 de “brincadeira”. Como acreditar numa lista que coloca o líder da seita “A Luz do Mundo”, José Julino Kalupeteka, como Presidente de um alegado “Governo de Salvação Nacional”? – pergunta a activista:

“Andam aqui a brincar, porque qualquer criança vê que isso é uma brincadeira. Desde quando Kalupeteka tem competência para ser Presidente da República? E um Governo não se faz assim. Um Governo num Estado Democrático de Direito faz-se por eleições.”

Na lista do chamado “Governo de Salvação Nacional” também figuram os nomes dos deputados Abílio Kamalata Numa, da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido da oposição angolana), e Aníbal Rocha, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), que gozam de imunidade.

“Há muita confusão neste país, mas o que mais me surpreende é o silêncio da população”, desabafa o jornalista Makuta Nkondo.

Cadeia?

Se não comparecerem em tribunal, os declarantes incorrem no crime de desobediência, segundo o juiz da causa do caso 15+2. Makuta Nkondo diz não temer a cadeia:

“Num regime bárbaro, sanguinário, ser detido é muita coisa? O natural, o normal, é sermos detidos.”

“As cadeias não foram feitas para cães, foram feitas para pessoas, mas também não são para pessoas inocentes”, diz Ermelinda Freitas, que desafia: “Se eles têm vontade de prender alguém, ponham na cadeia os verdadeiros bandidos. Nós, em Angola, temos muitos.” (DW)

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