CMVM quer saber se há novidades no negócio entre BPI e Isabel dos Santos

(Foto: D.R.)

Os inúmeros comunicados e notícias da Unitel e Oi sobre o negócio proposto pela empresária angolana ao BPI causaram dúvidas no regulador, que quer saber se há motivos para novos esclarecimentos ao mercado.

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pretende saber se há novidades na venda de 10% do Banco de Fomento de Angola (BFA) pelo Banco BPI  à Unitel. Um pedido de esclarecimento que chega ao banco liderado por Fernando Ulrich (na foto) em plena troca de argumentos entre a sociedade de Isabel dos Santos e a brasileira Oi, que é contra a operação.

Oficialmente, o regulador apenas adianta que está à espera de esclarecimentos, conforme adiantou inicialmente o Dinheiro Vivo e confirmou o Negócios. Ou seja: o regulador do mercado de capitais quer saber se houve novos passos na operação proposta pela empresária angolana. Não havendo novidades, o regulador pode achar-se esclarecido. Se considerar o contrário, pode obrigar a novas informações ao mercado.

Nem da parte do regulador liderado por Carlos Tavares nem do banco liderado por Ulrich há mais explicações ao Negócios. Certo é que esta posição da CMVM chega quando, nos últimos dias, várias têm sido as notícias em torno do proposto negócio de 140 milhões de euros entre BPI e Unitel.

No sábado, 23 de Janeiro, a empresa PT Ventures, através da qual a brasileira Oi tem 25% na angolana Unitel, reforçou que uma decisão judicial em Paris impede que a Unitel compre ou venda activos, pelo que, na sua óptica, não pode comprar 10% do BFA ao BPI.

A Unitel é, neste momento, minoritária no BFA, sendo que o banco português detém a maioria do capital. Contudo, o BPI está obrigado a reduzir a sua exposição a Angola, por a supervisão bancária no país não ser considerada equivalente da europeia, e Isabel dos Santos propôs esta operação de compra.

A angolana considera que pode negociar sozinha com o BPI, sem autorização da Oi.  A brasileira diz que há um acordo parassocial que obriga à referida autorização. Apesar da oposição brasileira, as negociações entre BPI e Isabel dos Santos avançam. Mas não podem durar muito: BPI e Unitel têm até domingo, 31 de Janeiro, para chegar a um entendimento, uma vez que o prazo de validade da oferta de Isabel dos Santos, que controla a gestão da Unitel, termina no final do mês.

Esta proposta de compra de 10% do BFA ao BPI é a alternativa encontrada por Isabel dos Santos para a resolução do problema de excesso de concentração de riscos do banco português em Angola. Mas a gestão de Fernando Ulrich tinha outra ideia em mente: a separação dos activos africanos do BPI para uma nova sociedade, que manteria os mesmos accionistas mas que seria independente do BPI.

Esta segunda-feira, o BPI encerrou a perder 0,10% para 0,989 euros por acção. (jornaldenegocios)

 

 

 

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA