Cientistas portugueses desenvolvem detergente amigo do ambiente a partir de lixo

Cientistas portugueses criam detergente biológico a partir do lixo Foto: Estela Silva/Lusa

O projeto foi vencedor na categoria de Investigação na iniciativa Green Projects Awards, recebendo o Prémio Jerónimo Martins para Investigação e Desenvolvimento, de 20 mil euros.

Investigadores portugueses chegaram a uma solução para produzir detergentes amigos do ambiente e menos tóxicos que os derivados do petróleo, a partir de materiais como lenhocelulose e açucares encontrados no lixo, uma descoberta já patenteada.

“Procuramos produzir uma molécula de maior valor que pode, de alguma forma, substituir potencialmente produtos derivados do petróleo, como os detergentes”, disse este sábado à agência Lusa César Fonseca, cientista que, no Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), coordenou o trabalho.

As conclusões obtidas “têm essencialmente duas vantagens, uma é a produção destes detergentes a partir de matéria-prima renovável, como resíduos ou lixo, e por outro lado, estas moléculas, sendo produzidas biologicamente, também são menos tóxicas e biodegradáveis”, resumiu.

A investigação teve o contributo do programa MIT Portugal, com a participação do doutorado Nuno Faria, contou com Frederico Ferreira, do Instituto Superior Técnico (IST), e teve financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O projeto foi vencedor na categoria de Investigação na iniciativa Green Projects Awards, recebendo o Prémio Jerónimo Martins para Investigação e Desenvolvimento, de 20 mil euros.

O trabalho inicial dos investigadores centrava-se na produção de biocombustíveis a partir de materiais lenhocelulósicos de resíduos agrícolas e outros tipos de desperdícios para obter alternativas aos combustíveis fósseis, poluentes, mas acabaram por chegar a uma solução para biodetergentes.

É possível utilizar “todos os resíduos que possam conter lenhocelulose e açucares associados a estes materiais, tanto resíduos agrícolas, das florestas, como lixo urbano, onde se encontra muito papel”, restos alimentares ou outros biológicos, com açúcares que podem ser convertidos, ou seja, um conjunto de bioresíduos, explicou César Fonseca.

Depois de demonstrada a possibilidade de produzir o ‘detergente verde’ a partir de lixo agrícola, em laboratório, os investigadores estão agora a procurar conseguir o detergente especificamente a partir de resíduos sólidos urbanos.

“Estamos a procurar, por um lado, diversificar o número de resíduos que podemos utilizar, e por outro testar novas aplicações e [ter a] certificação do produto” nessas utilizações, referiu César Fonseca.

A tarefa é perceber em que medida esta molécula pode ser utilizada, não só para detergentes domésticos ou industriais, mas também para novas aplicações, de produtos de beleza a agentes químicos para localização de drogas específicas no organismo.

As moléculas trabalhadas por este grupo de cientistas “são relativamente complexas, têm uma capacidade de detergente, têm um valor mais alto do que os combustíveis por unidade e há todo o interesse de desenvolver parcerias com as empresas que têm tecnologia de conversão de biomassa em açúcares e etanol”, especificou o investigador.

César Fonseca realçou que o prémio Jerónimo Martins vai contribuir para levar o projeto a uma fase seguinte, principalmente no desenvolvimento da tecnologia, “ter maior capacidade para aumentar a propriedade intelectual”, no registo de patentes relacionadas com a primeira, e trabalhar na certificação do produto, além de ajudar a atrair financiamentos e parcerias com a indústria. (Agência Lusa – Observador)

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