Casa Manoel de Oliveira vai ser sede da Fundação Sindika Dokolo

(TVI24)

Empresário e colecionador de arte africana, marido da angolana Isabel dos Santos, comprou o edifício criado por Eduardo Souto de Moura por 1,58 milhões de euros.

A Supreme Treasure, que comprou a casa do cineasta Manoel de Oliveira por 1,58 milhões de euros, é gerida por Mário Leite da Silva, representante da empresária angolana Isabel dos Santos, de acordo com a informação consultada esta segunda-feira pela Lusa.

O edifício idealizado há duas décadas para acolher o espólio do realizador português foi vendido esta segunda-feira pela autarquia do Porto numa segunda hasta pública, depois da primeira, em 2014, não ter recebido propostas.

O imóvel da Foz foi adjudicado provisoriamente à Supreme Treasure, Lda, que na altura, o seu representante – o advogado Diogo Duarte Campos – se escusou a adiantar pormenores sobre o negócio, alegando “dever de sigilo profissional”.

De acordo com informação consultada pela Lusa, a Supreme Treasure, Lda é uma sociedade por quotas, foi criada em setembro de 2015 e conta com Mário Leite da Silva, braço direito dos negócios de Isabel dos Santos, como gerente. A empresa tem como principal acionista Miguel Joaquim Cardielos dos Reis.

Ainda de acordo com a agência Lusa, a casa do cineasta Manoel de Oliveira, no Porto, vai ser a nova sede da Fundação Sindika Dokolo para a Europa e um “espaço de reflexão e aprendizagem para jovens artistas”.

“Ao nos estabelecermos num edifício como a Casa Manoel de Oliveira, em plena Foz portuense, estamos a afirmar a nossa intenção em contribuir para tornar o Porto ainda mais cosmopolita e mais cultural”, referiu o presidente da Fundação, Sindika Dokolo, em comunicado.

“Neste espaço vamos promover redes de reflexão artística e fortalecer laços entre Portugal e Angola, a Europa e África, numa ode à arte enquanto elemento unificador de povos e países”, frisou Sindika Dokolo.

Promover a cultura, nomeadamente a arte, é o objetivo subjacente à Fundação Sindika Dokolo, um centro de arte contemporânea que, para além de reunir obras, visa proporcionar condições e promover atividades com vista à integração de artistas nos círculos internacionais do mundo da arte.

Depois de ter promovido a exposição “You Love Me, You Love Me Not”, uma das mais importantes da arte contemporânea na Europa, nos Jardins do Palácio de Cristal, em 2015, a Fundação Sindika Dokolo reforça assim a ligação à cidade do Porto.

Em março de 2015, o mecenas recebeu a medalha municipal de mérito, Grau Ouro, pela Câmara Municipal do Porto, uma homenagem e reconhecimento da cidade pelo seu contributo para a cultura local.

A coleção de arte da Fundação Sindika Dokolo, criada em 2003, em Luanda, Angola, é composta por mais de três mil obras, entre pinturas, gravuras, fotografias, vídeos e instalações, da autoria de 90 artistas de 25 países, lê-se na nota. (TVI24)

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