BPI rejeita oferta de Isabel dos Santos sobre o Banco do Fomento Angola

Empresária angolana opõem-se ao projecto de cisão apresentado pelo BPI para os activos africanos (Foto: Fernando Veludo N Factos)

Proposta da Unitel para controlar banco angolano foi chumbada por unanimidade pelo conselho de administração.

O BPI anunciou esta quarta-feira que rejeitou a oferta da Unitel, de Isabel dos Santos, para comprar mais 10% do capital do Banco do Fomento Angola (BFA), onde a empresária já tem uma posição de 49,9%.

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco liderado por Fernando Ulrich revela que a proposta da operadora de telecomunicações liderada por Isabel dos Santos foi analisada na reunião do conselho de administração desta quarta-feira e “unanimemente rejeitada”.

O representante da Santoro – holding de Isabel dos Santos, que tem 19% do BPI –  não participou na discussão sobre a proposta, nem na votação, esclarece o BPI, referindo-se a Mário Leite da Silva.

A proposta de Isabel dos Santos, que era válida até ao final de Janeiro, surgiu como uma resposta à convocatória de uma assembleia geral para dia 5 de Fevereiro, por parte do BPI, para votar a cisão dos negócios do banco em África (Angola e Moçambique), face às novas exigência do Banco Central Europeu (o BCE quer menor exposição do banco ao mercado angolano).

Trata-se de um plano que precisa do aval da Unitel, que já afirmara anteriormente não concordar com esta estratégia.

O “chumbo” da proposta da Unitel foi explicado por Fernando Ulrich, presidente do BPI, como decorrente de uma análise que concluiu “que não era uma boa solução para a situação que o BPI tem de resolver”. E “não foi uma questão específica, mas uma apreciação global”, disse nesta quarta-feira, durante a apresentação dos resultados anuais do banco.

A votação foi por unanimidade e decorreu no conselho de administração sem a presença do representante de Isabel dos Santos. A Assembleia Geral do BPI de 5 de Fevereiro vai discutir este ponto, mas Ulrich acredita que o tema de Angola (participação do BPI no BFA) esteja resolvido até Abril.

Para Fernando Ulrich, “e por ironia”, o contributo do BFA para os resultados do BPI em 2015, foi de 136 milhões de euros, “o maior de sempre, com excepção de 2008”. Mas ao contrário de há seis anos, em que o BPI se apropriou da totalidade dos resultados do BFA (onde tinha 100%), em 2015 (possuindo agora 50,1% do capital) só se apropriou de metade “o que mostra a resiliência” do banco angolano.

O BPI registou um lucro de 236,4 milhões de euros (93,1 milhões resultantes da actividade doméstica) em  2015, o que traduz uma melhoria face ao ano anterior quando apurou um prejuízo de 163,4 milhões. (publico)

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