Banco Mundial revê em baixa preço do petróleo em 2016

(Foto: D.R.)

Projecções apontavam para 51 dólares por barril, mas estão agora nos 37 dólares. Exportações iranianas e fraco crescimento dos países emergentes continuarão a contribuir para baixa da cotação.

O Banco Mundial reviu as projecções para o preço do barril de petróleo para este ano, apontando para um valor de 37 dólares, 27% abaixo das estimativas de Outubro, que anteviam um preço de 51 dólares por barril. Ainda assim, o preço implica uma recuperação da queda drástica verificada nas últimas semanas.

A revisão em baixa assenta tanto em factores do lado da procura, como da oferta, explica uma nota do banco.

Entre os factores que motivaram a revisão em baixa está a retoma da exportação de petróleo por parte do Irão. As sanções económicas dos EUA e da Europa que impediam a comercialização foram levantadas a meio deste mês, após o país ter demonstrado que desmantelou boa parte do seu programa nuclear.

A Hellenic Petroleum, a maior refinaria grega, e que antes das sanções era cliente do petróleo iraniano, foi a primeira a encetar novas relações comerciais com o país (o acordo permitirá também que a refinaria pague centenas de milhões de euros que devia ao Irão e que não podia pagar enquanto as sanções durassem).

O Banco Mundial aponta também que a produção nos EUA se mostrou mais resistente do que o que tinha anteriormente previsto, graças a “cortes de custos e ganhos de eficiência” por parte das companhias, ajudando assim a manter a oferta em níveis elevados.

Ao longo de 2015, o preço do petróleo caiu 47%. A descida está a levantar problemas a empresas do sector, bem como a países cuja economia depende fortemente da exportação petrolífera – é o caso da Venezuela e de Angola, por exemplo, ambos com problemas de liquidez.

A consequente queda nos preços da energia também contribui para as dificuldades da zona euro em fazer descolar a inflação de valores muito próximos do zero, apesar dos esforços do Banco Central Europeu.

Do lado da procura, as fracas perspectivas de crescimento das economias emergentes têm ajudado a um excesso de oferta, nota o Banco Mundial. A desaceleração da economia da China – que é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo – é um dos motivos que tem gerado preocupação no sector.

Os dados oficiais indicam que, em Novembro, a procura por petróleo naquele país subiu 1,5% em relação ao mesmo mês de 2014 – mas, tal como noutras áreas, a China habituou os mercados a crescimentos mais significativos e esta foi a subida mais diminuta desde Fevereiro do ano passado.

Por fim, as condições meteorológicas também têm jogado a favor da menor procura e o Banco Mundial refere um Inverno moderado no hemisfério Norte (e as consequentes menores necessidades de aquecimento) como uma das razões para a revisão em baixa.

A previsão de 37 dólares fica, no entanto, acima do preço de mercado das últimas semanas. A última vez que Brent (o petróleo do Mar do Norte) esteve acima daquele preço foi a 4 de Janeiro, quando o barril chegou ao fim da sessão de negociações a valer 37,22 dólares. “Dos actuais mínimos, é esperada uma recuperação gradual nos preços do petróleo”, observa o Banco Mundial, antecipando ser “provável” que a queda acentuada seja “revertida em parte”.

A recuperação ficará a dever-se, por um lado, a prováveis cortes de produção num cenário de preços adversos, que acabarão por limitar a oferta. Por outro, é esperada alguma retoma da procura graças a “uma recuperação modesta do crescimento mundial”. (publico)

Por: João Pedro Pereira

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