Augusto: “Há pressão muito grande para a independência do Presidente da República”

(EURONEWS)

Portugal escolhe o novo chefe de Estado a 24 de janeiro. Na corrida à sucessão de Cavaco Silva estão 10 candidatos. Um número recorde numas eleições onde o PSD defende a natureza “suprapartidária” da candidatura
Marcelo Rebelo de Sousa e os socialistas – sem candidato oficial – se mostram divididos entre Sampaio da Nóvoa, Henrique Neto e Maria de Belém.

Independência tem sido uma das palavras mais ouvidas durante a campanha eleitoral. Apoios aceitam-se, mas a presença das máquinas partidárias nem sempre se tem mostrado clara. Uma situação que Nuno Augusto, investigador em Sociologia e Ciência Política explica com um desgaste de alguns partidos.

“Creio que há aqui efetivamente efeitos de desgaste, uma pressão muito grande para a independência do Presidente da República relativamente às forças partidárias e, depois, há também todo um contexto que é muito recente do resultado das últimas eleições e de todas as convergências que se foram encontrando e da relação que, entretanto, se estabeleceu entre os candidatos e o Presidente da República” afirma.

A coligação Portugal à Frente – constituída pelo PSD e CDS – venceu as eleições legislativas de outubro, mas o acordo à esquerda permitiu ao líder do PS, António Costa, tomar posse como primeiro-ministro. O apoio do Bloco de Esquerda, do PCP e Verdes permitiu obter uma maioria no Parlamento, mas as diferenças políticas – dizem os analistas – podem por em causa a longevidade do acordo. Mais do que nunca o papel do chefe de Estado pode ser decisivo para garantir a estabilidade do país.

Nuno Augusto defende que “neste momento o presidente da República tem um quadro de responsabilidades, do ponto de vista da moderação e da capacidade de juntar diferentes partes e de conseguir articular os processos, muito maior do que no contexto de uma maioria absoluta.”

Os candidatos não se mostram fãs da chamada “bomba atómica” política e todos prometem fazer o melhor em prol do país

Nuno Augusto lembra que “estamos num regime semipresidencial” fruto de “um conjunto de fatores históricos, que levaram efetivamente a que o presidente da República ficasse com este poder fundamental, de dissolver a Assembleia da República, mas também de convocar eleições e de nomear governos ou indigitar primeiros-ministros.” (EURONEWS)

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