Ataque a hotel no Burkina Faso: Um português entre os 29 mortos

Um cidadão português está entre as vítimas do atentado no hotel Foto: Wouter Elsen - EPA

A Secretaria de Estado das Comunidades anunciou a presença de um português entre os mortos no ataque terrorista na capital do Burkina Faso. Havia um segundo português no hotel, mas saiu ileso.

Há um português entre as 29 vítimas do ataque terrorista em Ouagadougou, no Burkina Faso, disse à Lusa a Secretaria de Estado das Comunidades. De acordo com a RTP, a vítima é um luso, de 51 anos, que vivia em França e que estava na capital do Burkina Faso ao serviço de uma empresa privada francesa. Havia ainda um outro português no interior do hotel, um consultor da União Europeia, que saiu ileso.

Segundo o Correio da Manhã, a vítima mortal portuguesa é António Basto, que trabalhava na empresa de transportes Scales, em Val-d’Oise. Basto vivia em Bosc-Hyons, era casado com uma francesa e pai de três filhos, com idades entre os 31 e seis anos. Junto a António Basto morreram também dois colegas seus franceses.

Esta será a quarta vítima portuguesa de atentados terroristas, conta oExpresso. Antes de António Basto, perderam a vida Maria da Glória, na Tunísia, onde viajou em junho de 2015 para homenagear a morte do marido, Precília Correia e Manuel Colaço Dias, ambos em Paris, mais exatamente no Bataclan e no Estádio de França, respetivamente, nos atentados na capital francesa a 13 de novembro de 2015.

O ataque terrorista, reivindicado pela al-Qaeda do Magrebe, matou 29 pessoas e terá deixado 150 feridas. Durante o dia de sábado, o número de países afetados por esta investida fixava-se nos 18, mas deverá aumentar com o escalar das vítimas. Sabe-se também que um norte-americano que trabalhava num orfanato está entre as vítimas. Posteriormente, um casal australiano foi raptado no norte do país, junto à fronteira com o Mali. Numa primeira fase foi comunicado que o casal seria austríaco.

No sábado, as autoridades de Burkina Faso e França anunciaram que mataram quarto terroristas e que libertaram os 126 reféns (33 feridos) do Hotel Splendid. O cerco ao Hotel Splendid foi terminado sábado de manhã, havendo ainda a suspeita de que estaria em marcha um segundo ataque a outro hotel.

Vários homens armados e de turbante entraram a disparar no Hotel Splendid e atacaram o café Capuccino, onde até terá começado o ataque, no centro da cidade de Ouagadougou, na noite de sexta-feira. O Hotel Splendid é um dos principais hotéis da capital e é frequentemente utilizado por ocidentais e funcionários das Nações Unidas.

A cadeia de televisão iTele referiu no Twitter que o ataque foi reivindicado pelo jihadistas da al-Qaeda no Magrebe Islâmico. O número preciso de terroristas ainda não foi revelado, mas testemunhas identificaram entre quatro e seis homens.

O embaixador francês no Burkina Faso referiu-se ao ataque no Twitter como um atentado terrorista. Ao início da noite de sexta-feira, o canal local Burkina 24 relatou tiros na Avenida Kwame Nkrumah em Ouagadougou, capital do país. “A razão por trás dos tiros ainda são desconhecidos”, acrescentou então na sua página de Facebook.

“Note-se que no início do dia, precisamente cerca das 14h, cerca de vinte homens armados atacaram uma unidade da missão da polícia numa aldeia situada a cerca de quarenta quilómetros de Tinakof e Gorom-Gorom na região do Sahel. O ataque resultou em dois mortos (um polícia e um civil) e dois feridos (dois polícias), um deles em estado grave”, lê-se numa outra publicação do Burkina 24. (Observador)

por Elsa Araújo Rodrigues

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