Assistência médica já é paga no Hospital Central da Huíla

(DW)

Em Angola, a crise económica já chegou ao sector da saúde. Os hospitais públicos estão a cobrar consultas, apesar de serem unidades orçamentadas. Tem havido também despedimentos de funcionários eventuais.

Os pacientes que acorrem ao Hospital Central da província da Huíla dizem não perceber por que passaram a ter de pagar as consultas, no final do ano passado, por ordem do Ministério da Saúde.

Segundo o paciente Nonato Raimundo, o hospital chega a cobrar o equivalente a 20 euros por consulta: “Não entendo o porquê desta medida. Os valores das consultas variam de 1785 kwanzas a 3000 kwanzas. Nem todos têm estas possibilidades. Está difícil.”

Carlos José concorda que nem todos conseguem pagar, e conta: “Antigamente as pessoas não tinham de pagar, mas hoje estão a pagar. Até no banco de urgências que era gratuito agora paga-se 80 kwanzas.”

E o paciente questiona-se: “O povo lá do mato que não tem nada, que depende da colheita do milho, onde vai arranjar esse dinheiro para pagar uma consulta? É difícil… Sinceramente!”

Desde Novembro, trabalhadores eventuais também foram despedidos, alegadamente por falta de verbas. Anacleta Augusta foi uma das visadas – ela trabalhou durante um ano e meio no Hospital Central do Lubango: “Fomos despedidos, cerca de vinte e cinco funcionários. Nós perguntamos o porquê e eles disseram-nos que é por causa da crise.”

Mortes por falta de medicamentos

Anacleta Augusta revela ainda: “Também por causa da crise há muita gente a morrer por falta de medicação. O médico passa a receita, mas como o hospital não tem remédios para poder suprir as necessidades, só as consultas e as análises são pagas.”

As autoridades de saúde disseram não ter tempo para falar com a nossa equipa de reportagem, confirmando apenas que as medidas se justificam pela crise que o país vive.

A sociedade civil mostra-se preocupada. Segundo Luís Aires, da Igreja Evangélica Congregacional em Angola, IECA: “Isto é que nos motivou a visitarmos o Hospital Central do Lubango onde tivemos a possibilidade de conversar com a direcção do hospital, também visitamos demoradamente as várias secções e constatamos esta necessidade de humanizar os serviços de saúde na nossa Angola.”

A Igreja Evangélica Sinodal de Angola, IESA, é um dos parceiros do Estado angolano no sector, e defende que a rede sanitária no país deve ser alargada. Para o reverendo Diniz Marcolino Eurico, presidente da IESA, os “novos postos de saúde devem ser abertos sobretudo nas zonas onde o Governo não tem nada.” (DW)

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