Alemanha: “Foi um pesadelo, eles não paravam”

Estação central de Colônia nas primeiras horas de 2016: selvageria (DW)

Relatos das vítimas de ataques sexuais em várias cidades alemãs, sobretudo em Colónia, dão ideia do drama que mulheres enfrentaram no réveillon: “De repente, eu estava presa. Em todos os lugares havia homens.”

Quase uma semana depois dos ataques em massa contra mulheres na noite de réveillon em cidades como Colónia, Hamburgo, Stuttgart e Bielefeld, a imprensa alemã publica testemunhos dramáticos de vítimas das agressões.

“De repente, senti uma mão nas minhas nádegas, depois nos meus seios. Depois, senti mãos pegarem em todas as partes do meu corpo. Foi um pesadelo. Mesmo a gente gritando e nos debatendo, eles não paravam”, relatou Katja L., de 28 anos, em entrevista ao jornal Express.

Ela festejava o Ano Novo em Colónia, cidade que registou o maior número de casos. A vítima estima que em 200 metros passaram a mão nela em torno de 100 vezes. Ela também afirma ter sido xingada de “prostituta”.

Quando falou com os policias, eles tentaram abordar os agressores. “Mas não conseguíamos dizer qual deles pegou em qual lugar do nosso corpo”, lembrou Katja.

Maria, de 23 anos, fez relato semelhante ao diário Bild. Ela diz ter sido atacada, juntamente com uma amiga, numa estação de metro em Colónia, ao ser cercada por um grupo de homens.

“Eles punham as mãos em todos os lugares”, afirmou. “Enfiavam os dedos deles em todas as aberturas do nosso corpo. Quando eu gritava por socorro, eles riam”. Os criminosos também tentaram roubar os seus telemóveis.

“Muitas mulheres a chorar”

Uma mulher de 40 anos, cujo nome não foi publicado, contou à emissora WDR que havia uma “atmosfera agressiva” na estação central de Colónia. “De repente, vários homens passaram a mão no meu traseiro, sem que o meu namorado se apercebesse. Posso dizer que eram vários homens, que agarravam os meus seios e as minhas nádegas”. Ela afirma que viu muitas mulheres a chorar no local.

“O que essas mulheres sofreram foi abuso sexual”, disse ao jornal Express um policia que trabalhou naquela noite na estação central de Colónia, relatando, ainda o caso de uma jovem de 20 anos que teve a sua calcinha literalmente arrancada do corpo. Ele afirmou que muitas mulheres reclamavam dos ataques “chorando e em estado de choque”.

“Homens beijavam-me na testa, no rosto, na boca”

“Botaram a mão por baixo do meu vestido e agarraram as minhas nádegas”, afirmou uma jovem ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger.

“De repente, eu estava presa. Em todos os lugares havia homens que me beijavam na testa, no rosto, na boca”, relata uma vítima, de 23 anos, em entrevista ao jornal Neue Westfälische. Ela comemorava a passagem de ano com duas amigas em Bielefeld.

A polícia de Colónia registou mais de uma centena de queixas. De acordo com as autoridades, cerca de mil homens reuniram-se na noite de réveillon nos arredores e em frente à estação central e ao lado da Catedral de Colónia, um dos principais pontos turísticos da Alemanha. Testemunhas e policias relataram que os criminosos eram jovens, agiam em grupos, estavam alcoolizados e, pela aparência, seriam oriundos de países árabes ou do norte da África.

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