Agressão a agentes da PN no monte Sumi marcado com cânticos religiosos

Coque Mukuta (VOA)

Os cinco agentes da Polícia Nacional ouvidos sexta-feira, pelo Tribunal da província do Huambo, no âmbito do processo que envolve a extinta seita religiosa “Luz do Mundo”, de José Kalupeteka, acusado de nove crimes de homicídio qualificado, declararam que os noves membros da corporação foram assassinados com paus aguçados (mocas) e machados, enquanto as mulheres da mesma entoavam hinos religiosos.

No décimo dia do julgamento, foram ouvidos na condição de declarantes, o inspector Albano Afonso (chefe de companhia da Unidade da Polícia de Intervenção Rápida), Marcolino Canhanga (comandante da Polícia Nacional no sector do quilómetro 25), Eduardo Livongue Adriano (ordem pública), Simão Baltazar (Serviço de Investigação Criminal) e João Baptista Kapangue, que estiveram nos acontecimentos do monte Sumi, em Abril do ano transacto.

Os declarantes confirmaram em juízo que os seguidores da seita Luz do Mundo insurgiram-se com os agentes da autoridade no momento em que interpelaram o líder da organização, Kalupeteka, no cumprimento de um mandado de captura, emitido pela Procuradoria-Geral da República na província do Bié, contra o mesmo, que, segundo os agentes, preparou homens para agredirem os membros da corporação no momento da sua detenção.

Explicaram que depois de terem interpelado o líder da seita surgiram a partir do come da montanha do Sumi alguns disparos, seguidos de homens munidos de mocas, machados, pedras, enxadas e outros objectos corto-contundentes, que atingiram mortalmente os agentes, enquanto as mulheres que se encontravam ao redor do acampamento entoavam hinos religiosos de exaltação.

Segundos os sobrevivente, além das mulheres que entoavam cânticos, existiam também vários pontos de vigilância montados nos milheirais e nos arredores do acampamento, que no dia dos factos perseguiram com machados e mocas os agentes da policia.

Os declarantes confirmam à instância que os agentes da Polícia Nacional agiram em auto-defesa, depois dos seguidores de Kalupeteka terem morto o comandante da corporação no município da Caála, superintendente-chefe Evaristo Catumbela, o chefe das operações da Polícia de Intervenção Rápida nesta província, intendente Luhengue Joaquim José, o instrutor da Polícia de Intervenção Rápida, sub-inspector Abel do Carmo, sub-chefe João Nunes e agente Luís Sambo, cuja intervenção baseou-se no lançamento de granadas de gás lacrimogéneo, de feito moral e outros meios de persuasão.

Contam que os agentes Castro Hossi e Manuel Lopes foram assassinados nas imediações do acampamento, ao contrário dos demais assassinados na residência do líder Kalupeteca, pelo facto destes, estarem no segundo grupo perseguido por cerca de 50 homens que projectavam diversos objectos corto-contundentes.

As audições aos declarantes prosseguem segunda-feira (01 de Fevereiro). (ANGOP)

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