África e Médio Oriente: Barómetro de Risco da Allianz para 2016

Os riscos empresariais previstos pela Allianz Global Corporate & Specialty para 2016 Foto: (DR)

As empresas africanas e do Médio Oriente enfrentarão mudanças no cenário de riscos. Entre as novas ameaças importantes, encontram-se uma intensa concorrência empresarial e alguns incidentes cibernéticos a ter em consideração.

Os principais riscos para as empresas situadas no Continente Africano e no Médio Oriente aparecem pela primeira vez em desenvolvimentos macroeconómicos, desenvolvimentos no mercado e mudanças na legislação e regulamentação.

Ao nível global, a interrupção de negócios (BI) continua a ser, pelo quarto ano consecutivo, o principal risco para Empresas Seguradoras, sendo ataques cibernéticos, instabilidade geopolítica e falhas de tecnologia os novos possíveis impulsionadores dos prejuízos de BI.

O ambiente competitivo do mercado e os incidentes cibernéticos aparecem pela primeira vez entre os três principais riscos corporativos em nível global.

As companhias estão preocupadas com a crescente sofisticação de ataques cibernéticos, embora tenham tendência para subestimar a falha técnica da TI como causa de falhas dispendiosas.

África do Sul: Joanesburgo, 22 de Janeiro de 2016

O ambiente de risco nas empresas vai mudar substancialmente em 2016. Embora as empresas estejam menos preocupadas com o impacto de riscos industriais tradicionais, como catástrofes naturais ou incêndios, estão cada vez mais preocupadas com o impacto de outros eventos perturbadores, com a intensa concorrência nos seus mercados e com incidentes cibernéticas.

Estas são as principais conclusões do Barómetro de Risco Allianz para 2016, o quinto estudo anual sobre riscos corporativos publicado pela Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), que entrevistou mais de 800 gestores de risco e peritos em seguros em mais de 40 países.

Segundo o Barómetro de Risco Allianz, os três principais riscos para empresas na África e no Oriente Médio são os desenvolvimentos macroeconómicos (44%), os desenvolvimentos do mercado (44%) e as mudanças legislativas e reguladoras (32%).  Os riscos políticos (guerra, terrorismo e tumultos) são superiores a qualquer outra região. Esta região é a única a classificar cortes de energia como importante (10º lugar).  Estes riscos aparecem pela primeira vez na África e no Médio Oriente. No ano passado, as respostas da África e do Médio Oriente foram incluídas como parte da região da Europa, Médio Oriente e África.

Segundo Ludovic Subran, Economista Chefe da seguradora de crédito comercial Euler Hermes, empresa irmã da AGCS, “A maior contracção no comércio global desde a crise financeira, os países do BRICS e outros mercados emergentes a enfrentarem barreiras e as repercussões causadas pela baixa de preços das matérias-primas contribuem para assegurar que os desenvolvimentos de mercado e a macroeconomia se encontrem entre as principais ocorrências no Barómetro de Risco deste ano”.

A África do Sul, Brasil, Rússia, Nigéria e Malásia encontram-se entre os países que foram afectados negativamente pelos preços mais baixos de matérias-primas. Suban, afirma ainda o seguinte: “Contudo, é fascinante verificar que, em muitos casos, o declínio dos preços do petróleo e gás, minério de ferro e aço afectaram mais do que beneficiaram a cadeia de abastecimentos”. “Sectores como o da construção, por exemplo, tiveram resultados inferiores aos previstos devido a dificuldades de ordem estrutural. Adicionalmente, alguns sectores, como o de maquinário e equipamento, sentiram os danos colaterais resultantes da drástica redução do investimento na indústria do petróleo e gás.”

BI continua a ser o principal risco para empresas ao nível global pelo quarto ano consecutivo. Contudo, muitas companhias estão preocupadas com a possibilidade de os prejuízos de BI, normalmente resultantes de danos em propriedade, passarem a ser progressivamente causados por ataques cibernéticos, falhas técnicas ou instabilidade geopolítica como novas causas de perturbação em termos de “danos não físicos”.

Entretanto, dois dos factores de maior relevância no Barómetro de Risco Allianz aparecem pela primeira vez entre os três principais riscos corporativos, com os desenvolvimentos no mercado em segundo lugar e os incidentes cibernéticos em terceiro.  Os incidentes cibernéticos são também citados como o mais importante risco a longo prazo para as companhias nos próximos dez anos. Em contraste, catástrofes naturais (terceiro na África e no Médio Oriente) desceram duas posições, para o quarto lugar anual, reflectindo o fato de os prejuízos resultantes de desastres naturais em 2015 terem atingido os valores mais baixos desde 2009.

“O ambiente de risco corporativo está mudar dado que muitos sectores industriais estão a sofrer uma transformação fundamental”, como explica Chris Fisher Hirs, CEO da AGCS. “Novas tecnologias, a crescente digitalização e a “Internet das Coisas” (‘Internet of Things’) estão a mudar o comportamento do cliente, as operações industriais e os modelos empresariais, introduzindo um grande número de oportunidades e, ao mesmo tempo, criando consciência da necessidade de uma resposta geral das empresas em resposta aos novos desafios. Como seguradoras temos necessidade de trabalhar em conjunto com os nossos parceiros para  ajudar-lhes a enfrentar esta nova realidade de maneira abrangente”, afiançou Chris Fisher Hirs, da Allianz Global Corporate & Specialty.

Condições de mercado desafiadoras

Mais de um terço das respostas (34%) citou a evolução do mercado, tal como intensificação da concorrência ou volatilidade/estagnação do mercado como um dos três riscos corporativos mais importantes em 2016, classificando esta nova categoria do estudo[1] como o segundo maior perigo na generalidade. A evolução do mercado constitui é particularmente uma preocupação para os sectores de engenharia, serviços financeiros, manufactura, marítimos e de transporte marítimo, farmacêuticos e de transportes, onde este risco se encontra entre os três riscos corporativos mais importantes. Adicionalmente, este risco é a segunda maior preocupação na Europa, Ásia-Pacífico e África e Médio Oriente.

Muitas empresas em África estão enfrentar um número crescente de desafios que ameaçam a sua viabilidade e, possivelmente, os seus modelos comerciais. “As empresas têm que estar constantemente alertas, apresentando novos produtos, serviços ou soluções para permanecerem relevantes para os clientes e prosperarem neste ambiente em rápida mudança e globalmente competitivo”, explica Delphine Maïdou, Directora Executiva da AGCS África.

“Os ciclos de inovação estão se tornando progressivamente mais curtos; as barreiras para entrada no mercado estão desaparecendo; maior digitalização e novas tecnologias ‘perturbadoras’ têm que ser rapidamente adoptadas enquanto novas empresas, possivelmente mais ágeis, estão a penetrar no mercado”, afirma Delphine Maïdou.

Ao mesmo tempo, as empresas têm que passar a cumprir com regulamentos diferentes ou aplicados, aumentando requisitos de segurança ou restrições de importações/exportações.

Crescente sofisticação dos ataques cibernéticos

Outra área de preocupação crescente para as empresas, em nível global, são os incidentes virtuais que incluem  crimes cibernéticos ou violações de dados e também falhas técnicas de TI. Incidentes cibernéticos aumentaram 11% desde o ano passado, tendo passado da quinta posição (na África e no Oriente Médio) para os três principais riscos pela primeira vez (28% das respostas).  Há cinco anos, incidentes cibernéticos eram identificados como risco em apenas 1% das respostas no primeiro Barómetro de Risco Allianz.

A perda de reputação (69%) é a maior causa de prejuízo económico após um ataque cibernético, de acordo com as respostas, seguido por interrupção dos negócios (60%) e reclamações de responsabilidade após violação de dados (52%).

As companhias estão cada vez mais preocupadas com a crescente sofisticação dos ataques cibernéticos, segundo o Barómetro de Risco Allianz. “Ataques de hackers da Internet estão se tornando mais específicos, com maior duração e podem gerar uma penetração contínua”, explica Jens Krickhahn, especialista em seguros cibernéticos da AGCS.

Embora os ataques cibernéticos estejam a aumentar com frequência nos últimos anos e com maior gravidade, as companhias não deveriam subestimar o impacto de uma falha operacional nas actuais indústrias com alta digitalização e conectividade. “Uma simples falha técnica ou erro de utilizador pode resultar numa falha importante do sistema de TI, perturbando cadeias de abastecimento ou produção,” afirma Volker Muench, especialista da AGCS em seguros de propriedades. “São necessários sistemas de alerta prévio e melhores sistemas de monitorização a fim de evitar grandes prejuízos cibernéticos de BI,” afirma Krickhahn.

Instabilidade geopolítica pode ocasionar perturbações

BI continua a ser o principal perigo no Barómetro de Risco Allianz pelo quarto ano consecutivo, com 38% das respostas (30% na África e no Médio Oriente ). De fato, perdas por BI para as empresas estão aumentar, sendo normalmente responsáveis por uma proporção muito maior da perda global de uma década atrás, e muitas vezes ultrapassam significativamente a perda de propriedade directa, como demonstra o AGCS insurance claims analysis. De acordo com as respostas, as causas mais temidas de BI são catástrofes naturais (51%), seguidas por incêndios/explosões (46%).

No entanto, de acordo com as conclusões do estudo, as multinacionais também estão cada vez mais preocupadas com o impacto negativo da instabilidade geopolítica, como guerras, protestos e greves, que poderiam impactar suas cadeias de fornecimento e a suas equipes, ou ainda seus activos, que poderiam sofrer com actos de terrorismo.

“As empresas têm que se preparar, a partir de 2016, para uma gama mais vasta de ameaças,” afirma Axel Theis, Membro do Conselho de Gestão da Allianz SE. “Os impactos crescentes na globalização, digitalização e inovação tecnológica representam desafios importantes”, afirma este especialista.

Perfis de risco específicos  para regiões e sectores

A análise regional do Allianz Risk Barometer também explora os riscos específicos de sectores como manufactura, transporte logístico e marítimo, entre outras grandes indústrias.

(Comunicado de imprensa enviado ao Portal de Angola com pedido de publicação)

 

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