Afeganistão: Talibãs atacam em várias frentes antes do final do ano

Al Qaeda conquista terreno no Afeganistão Imagem: D.R - Reuteurs

Os jihadistas da Al Qaeda estão a lançar o pânico em várias províncias do Afeganistão. E o pânico que se vive na periferia de Cabul tem sido ocultado pelos serviços secretos britânicos e americanos. Mas o “Portal de Angola” soube através de fontes militares em missão logística no terreno que o Afeganistão está a ferro e fogo. E já se fala num novo Vietname para os militares americanos.

Nas últimas horas, os rebeldes talibãs intensificaram os ataques em algumas províncias no Afeganistão, nomeadamente em Helmand. Aliás, esta província tem sido devastada por fortes combates entre soldados do exército afegão e os talibãs, que segundo alguns observadores internacionais contactados pelo “Portal de Angola” está prestes a ficar na posse dos elementos da Al Qaeda.

A província de Helmand, é onde os talibãs radicais produzem as papoulas de onde se extrai o ópio e uma das mais simbólicas para a Al Qaeda, uma vez que fica próxima de Kandahar, lugar onde viveu Bin Laden durante vários anos.

O vice-governador de Helmand, Mohamad Jan Rasoolyar já contactou pessoalmente o presidente Ashraf Ghani que os talibãs estão a ocupar o território e a impor-se no terreno. “Os talibãs capturaram edifícios governamentais, a sede da polícia e o escritório do governador, mas os combates não abrandaram e existem muitos civis mortos”, afirmou às agências internacionais Mohamad Rasoolyar.

Desde que os militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) deixaram os elementos do exército afegão na frente de combate contra os talibãs, há mais de um ano, que as derrotas têm sido humilhantes. Os cerca de 13.000 soldados estrangeiros que se encontram no Afeganistão dedicam-se apenas a missões de assessoria e formação dos militares afegãos. São apenas meros observadores e nada mais do que isso. A prova disso é que no dia 21 de Dezembro, um terrorista talibã suicida, conseguiu matar seis membros da NATO e ferir mais de uma dezena de tropas afegãs.

“Seis membros da missão (Apoio Decidido) foram mortos em Bagram, na sequência de um ataque com veículo que carregava uma bomba artesanal”, confirmou aos jornalistas o porta-voz da NATO no Afeganistão, coronel Michael Lawhorn. Em Sangin, os talibãs estão a cercar as tropas do governo e não lhes dão tréguas. Mas os serviços secretos norte americanos têm conseguido “abafar” o que realmente está a acontecer no Afeganistão.

Há uma semana atrás, aviões americanos fizeram vários bombardeamentos no sul do país, onde os elementos da Al Qaeda estão a impor-se do ponto de vista militar e com o apoio directo dos jihadistas pertencentes ao Estado Islâmico. Nos últimos dias, as forças de segurança afegãs efectuaram diversas ofensivas para tentar socorrer e libertar os soldados e polícias que estão reféns dos talibãs, mas os resultados são humilhantes.

O avanço dos “insurgentes” talibãs está a tomar uma dimensão de tal ordem que já fez com que os americanos e ingleses reunissem várias vezes, com o objectivo de tomar uma decisão de voltarem de novo à frente de combate. Esta decisão ainda não foi tomada, mas pelo que pudemos apurar, os americanos e ingleses não querem ser humilhados pelos talibãs.

Nas últimas horas, têm-se registado vários atentados na periferia de Cabul. Os militares da NATO aconselham os civis a permanecer em suas casas, mas alguns militares confirmam que a situação que se vive é tensa e ao mesmo tempo caótica, porque o exército afegão está com muitas dificuldades para se impor no terreno, apesar da preparação que tem recebido dos especialistas da NATO.

Os próximos dias vão ser decisivos para os militares estrangeiros que se encontram no Afeganistão. Caso os talibãs continuem a conquistar as cidades míticas da Al Qaeda, a NATO vai ter que ser obrigada a regressar ao terreno. E as baixas de militares estrangeiros podem levar a protestos na Inglaterra e nos Estados Unidos. (Portal de Angola)

por José Valentim Peixe – Grande Repórter

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA