Abertura dos mercados: Bolsas e petróleo animados pela possibilidade de mais estímulos

(Bloomberg)

As bolsas europeias estão a registar valorizações significativas, impulsionadas pela perspectiva de mais estímulos monetários. Esta hipótese está também a animar os preços do petróleo e a levar à desvalorizar do euro.

Os mercados em números

PSI-20 soma 2,38% para 4.794,61 pontos

Stoxx 600 cresce 1,95% para 334,90 pontos

Nikkei disparou 5,88% para 16.958,53 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos descem 8,2 pontos base para 3,012%

Euro recua 0,40% para 1,0831 dólares

Petróleo em Londres sobe 4,65% para 30,61 dólares o barril

Draghi continua a animar as bolsas europeias

As principais praças do Velho Continente arrancaram a sessão desta sexta-feira, 22 de Janeiro, em alta, isto numa altura em que o mercado antecipa a introdução de mais estímulos monetários por parte de bancos centrais. Esta quinta-feira, 21 de Janeiro, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), assumiu que a instituição poderá avançar com mais estímulos monetários já em Março. As equipas técnicas do banco central vão estudar no próximo mês e meio as várias alternativas possíveis para que o BCE possa tomar uma decisão na reunião dedicada à política monetária, que decorrerá a 10 de Março.

A liderar as valorizações no Velho Continente está o índice português, PSI-20, que cresce 2,38%, seguido do francês CAC 40, que valoriza 2,05%. O Stoxx 600, índice de referência, soma 1,95%. Esta evolução das praças europeias tem lugar depois das praças asiáticas terem encerrado em alta. No Japão, o Nikkei encerrou a disparar 5,88%.

Juros em queda mais acima dos 3%

Os juros da dívida pública portuguesa, no mercado secundário estão a descer, aliviando assim um pouco das subidas recentes. Por esta altura, as “yields” a dez anos, consideradas de referência, cedem 8,2 pontos base para 3,012%. As subidas recentes do juros portugueses têm sido justificadas pelas alterações feitas pelo IGCP às linhas de obrigações que são consideradas como referência para cada maturidade. Sem esse efeito, os juros estariam a recuar. Esta manhã, os juros da dívida alemã estão, por outro lado, a subir 1,1 pontos base a dez anos para 0,462%. O prémio de risco da dívida nacional está nos 253,4 pontos.

Euro continua a cair pressionado pela possibilidade de mais estímulos

O euro está a cair face ao dólar, penalizada pela possibilidade de o Banco Central Europeu vir a introduzir mais estímulos monetários a partir de Março. A moeda da Zona Euro recua 0,40% para 1,0831 dólares.

Petróleo em forte alta, animado pela hipótese de mais estímulos

Os preços do petróleo estão a negociar em forte alta nos mercados internacionais. A possibilidade de serem introduzidos mais estímulos monetários está também a suportar os preços da matéria-prima. Para o Citigroup, o petróleo pode vir a ser considerado como o “negócio do ano” caso consiga resistir a um aumento das exportações iranianas da matéria-prima. O West Texas Intermediate soma 3,86% para 30,67 dólares por barril. O Brent do Mar do Norte, que serve de referência para as importações nacionais, dispara 4,65% para 30,61 dólares por barril.

Ouro em queda

A recuperação das bolsas, impulsionadas pelo expectativa de mais estímulos monetários, e a subida dos preços do petróleo estão a fazer cair a cotação do ouro – activo considerado de refúgio. O ouro para entrega imediata desce 0,42% para 1.096,56 dólares por onça.

Destaques do dia

“O principal perigo está nos bancos”, adverte Simon Johnson. O antigo economista-chefe do FMI considera excessiva a reacção dos mercados, até porque não antecipa uma travagem dramática da China. Mas a turbulência será um teste à estabilidade do sector financeiro.

Queda do petróleo vai voltar a baixar preço do gasóleo. A descida das cotações do petróleo nos mercados internacionais, para novos mínimos, vai permitir uma nova redução nos valores de venda no arranque da próxima semana. O diesel será o mais beneficiado.

Draghi acalma mercados com promessa de mais estímulos em Março. As fortes quedas do petróleo voltaram a defraudar as expectativas do BCE para a inflação. Mario Draghi admitiu, por isso, que mais estímulos poderão ser necessários. E os investidores aplaudiram.

Eléctricas ajudam o Fisco a apanhar rendas ilegais. As empresas de energia, água e telecomunicações estão a pedir aos seus clientes dados sobre os imóveis em que habitam. Apesar de as empresas estarem a cumprir a lei, os clientes não são obrigados a dar os dados.

Governo corta meta do défice para 2,6%. O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros o “draft” do Orçamento do Estado para 2016. O documento, onde Portugal faz previsões económicas e traça metas orçamentais, segue agora para a Comissão Europeia, que tem de se pronunciar.

O que vai acontecer hoje

Dados económicos na Zona Euro. O Eurostat publica estatísticas da dívida soberana e défice da Zona Euro, relativos ao terceiro trimestre de 2015. A Markit divulga o índice de gestores de compras (PMI) compósito, relativo a Janeiro.

Crédito à habitação. O INE publica as taxas de juro implícitas no crédito à habitação, relativas a Dezembro.

“Ratings”. As agências de notação financeira têm agendadas possíveis revisões de “ratings” da dívida soberana de vários países, entre os quais a Grécia (S&P), Bélgica (Fitch), França e Irlanda (Moody’s).

    1. Davos. Prossegue o Fórum Económico Mundial, que decorre até 23 de Janeiro, no qual participam nomes de relevo no panorama político e empresarial de todo o mundo. (Jornal de Negocios)

por Ana Laranjeiro

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