Yuan no FMI e o acordo monetário Angola-China

José Matuta Cuato (OPAIS)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou no passado dia 30 de Novembro a inclusão do yuan em sua cesta de moedas de reservas. Segundo FMI, o yuan cumpre a condição de ser uma moeda “livremente utilizável” para ser incluída na cesta das moedas de reserva do FMI. A moeda chinesa se junta às demais que compunham a cesta, o dólar americano, o euro, o iene japonês e a libra esterlina. Importa aqui realçar que, ao contrário da maioria das moedas, em que nome da moeda coincide com o da sua unidade, na China a moeda tem um nome e a unidade outro. A moeda é o renminbi RMB (moeda do povo) e o yuan (ou iuane) é a unidade monetária. A inclusão Yuan ou renminbi como moeda de reserva do FMI, apenas entra em vigor no dia 1º de outubro de 2016.

Segundo o FMI, o peso do yuan na cesta será de 10,92%, contra 41,73% do dólar, 30,93% do euro, 8,33% do iene e 8,09% da libra. É sem sobras de dúvidas uma importante vitória política da China neste ano que agora termina. Apesar da inclusão entrar em vigor no dia 1.º de Outubro de 2016, o Yuan já é utilizado em transacções de capital e no comércio global, graças a acordos de swap, a China já tem usado a sua moeda como meio de pagamento em trocas comerciais bilaterais com alguns dos seus parceiros, como vai acontecer com Angola. Um dos critérios levado em conta para esta inclusão é sem sobras de duvida a participação da china nas exportações mundiais, e Angola é um dos principias destinos das exportações da China em África. O yuan é uma moeda do presente e será uma das principais do futuro. Em Singapura por exemplo, já são muitas as empresas a utilizar o yuan em operações correntes de retalho.

O yuan é cada vez mais utilizada e aceite e a sua importância e peso tendem a aumentar. Angola, terá claras vantagens, tendo em conta o peso das relações comercias entre os dois países. Nomeadamente: Menor exposição à variação da taxa de câmbio, reduzindo riscos; Possibilidade de vender em yuan, alargando a base de clientes; Possibilidade de deter yuan como reserve; Acesso a financiamentos em yuan com origem em bancos chineses e melhor acesso aos investidores chineses em geral. Por outro lado, a China tornou-se no principal parceiro comercial e com o acordo torna-se incontornável, porque passa a ter uma enorme vantagem para os importadores angolanos, na medida em que com o acordo, os importadores evitam os custos de terem de converter kwanzas para uma moeda internacional como o dólar ou até o euro, ainda para mais tendo em conta a escassez de divisas internacionais que se verifica em Angola. A China é o maior comprador de petróleo angolano, representando mais de metade das vendas ao exterior, sendo Angola responsável por cerca de 15% do petróleo utilizado na China, de acordo com dados oficiais, que reflectem a intensa relação empresarial e política entre os dois países. Com o acordo, comprar à China sai mais barato que comprar a um outro país. (OPAIS)

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