Vaticano diz que os católicos não devem tentar converter judeus e devem lutar contra anti-semitismo

Cardeal Kurt Koch (à direita) e o rabino David Rosen concedem entrevista coletiva, no Vaticano, nesta quinta-feira. 10/12/2015 (REUTERS/Tony Gentile)

Católicos não devem tentar converter judeus e devem trabalhar com eles para combater o anti-semitismo, afirmou o Vaticano nesta quinta-feira num importante documento que afasta a Igreja ainda mais das relações tensas do passado.

Essa foi a mais recente acção relacionada a um grupo de temas, como direitos gays e segundo casamento, feita pelo Vaticano ou pelo papa Francisco, mostrando um desejo de ter mais compaixão, ser mais aberto e se distanciar das tradições arraigadas.

No passado, por exemplo, orações católicas denunciavam judeus por não acreditarem em Jesus. Judeus também acusam o papado na Segunda Guerra Mundial de fazer vista grossa diante do Holocausto, algo que o Vaticano nega.

O novo documento da Comissão de Relações Religiosas com Judeus do Vaticano enfatizou os ensinamentos recentes do Vaticano de que as duas religiões são interligadas e que Deus nunca anulou o seu pacto com o povo judaico.

“A Igreja é assim obrigada a ver a evangelização (espalhar o cristianismo) para judeus, que acreditam em um só Deus, de uma maneira diferente do que para pessoas de outras religiões e visões do mundo”, declarou o documento.

Ele também disse que católicos devem ser particularmente sensíveis sobre o significado para os judeus da Shoah, termo em hebraico para o Holocausto, e prometeu “fazer todo o possível com os nossos amigos judeus para repelir tendências anti-semitas”.

“Um cristão não pode ser nunca um anti-semita, especialmente por causa das raízes judaicas do cristianismo”, afirma o documento. (REUTERS)

por Philip Pullella

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