Turquia aproveitou o Natal para massacrar guerrilheiros curdos em Kobane

F16 turcos massacram guerrilheiros curdos em Kobane - Foto Reuteurs

O Estado Islâmico, efectuou dezenas de ataques durante o Verão de 2015. Os jihadistas atacaram forte e derrotaram os exércitos sírio e iraquiano, os rebeldes sírios e os peshmerga curdos iraquianos.  Objectivo: ocupar a cidade de Kobane, no Curdistão. Um ponto estratégico para acolher os voluntários terroristas ocidentais.

Ou seja, o Estado Islâmico conseguiu estabelecer um califado que se estendia desde Bagdade até Alepo e da fronteira Norte da Síria ao deserto no Sul do Iraque.

Nessas batalhas os jihadistas massacraram centenas de Yazidis de Sinjar e muitos cristãos caldeus que sempre viveram em Mossul. Na primeira quinzena de Outubro, o Estado Islâmico concentrou-se nos dois milhões e meio de curdos sírios que se tinham instalado em três cantões ao Sul da fronteira com a Turquia. E um desses cantões está concentrado  na cidade de Kobane.

Com a cumplicidade do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, os terroristas do Estado Islâmico, atacaram forte em Kobane e iniciaram uma massacre de que não existe memória. Os serviços secretos norte americanos informaram a administração de Obama para a tragédia que estava a ocorrer em Kobane. O Presidente Obama estava ao corrente da situação mas ficou silenciado. John Kerry falou da “tragédia” e não adiantou mais nada. Aliás, o secretário de estado John Kerry, disse aos jornalistas que o que se estava a passar em Kobane, não era assim tão grave como queriam fazer passar na opinião pública internacional.

Arin Mirkan, uma combatente curda super conhecida dos jornalistas ocidentais, fez-se explodir na frente de combate demonstrando aos observadores internacionais que o seu povo estava a ser massacrado pelo Estado Islâmico e pelos bombardeamentos da força aérea turca.

E a verdade é que os curdos que vivem ena cidade de Kobane tiveram que acatar as ordens dos terroristas do Estado Islâmico e nas últimas semanas, têm sido massacrados pelos bombardeiros turcos que contam com o apoio dos americanos. Segundo os observadores da Cruz Vermelha Internacional e da Organização das Nações Unidas (ONU), a situação que se vive em Kobane é um verdadeiro holocausto humanitário.

A administração Obama tem pressionado a Turquia para garantir mais apoio logístico e mais armamento aos peshmerga curdos iraquianos no Norte do Iraque até Kobane, mas a verdade é que os bombardeamentos turcos têm dizimado centenas de curdos. Como se não bastasse, nas últimas semanas os americanos decidiram efectuar dezenas de bombardeamentos na região de Kobane (os apelidados bombardeamentos cirúrgicos), mas em vez de atingirem os jihadistas do Estado Islâmico têm massacrado os combatentes curdos e os guerrilheiros peshmerga.

Uma coisa é certa, o governo turco não permite que os americanos utilizem a base aérea situada em Incirlik (apenas e só a 160 quilómetros de Kobane), o que faz com que os pilotos americanos tenham que voar das suas bases no Golfo, ou seja dois mil quilómetros.

O que se sabe é que a Turquia prefere que a cidade de Kobane seja controlada pelo Estado Islâmico, pois o tráfico do petróleo continua a gerar fortunas. E é conhecido o ódio que os turcos nutrem pelos curdos. Nesse sentido, aproveitaram a época natalícia para massacrar os curdos e os guerrilheiros peshmerga na região de Kobane.

Os serviços secretos americanos e israelitas sabem do que se está a passar no terreno, mas preferem manter-se alheios a este holocausto que está a ter lugar em Kobane.

As Nações Unidas prometem denunciar a situação, mas a verdade é que os media internacionais não estão a demonstrar interesse por este massacre.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) o presente de Natal que os turcos e americanos estão a oferecer aos guerrilheiros peshmerga são centenas de bombas aéreas largadas pela calada da noite, massacrando centenas de cidadãos inocentes.

Na cidade de Kobane, que se tornou num símbolo da resistência contra o Estado Islâmico, os combates continuam de forma intermitente, depois da tomada pelos jihadistas do quartel-general das forças curdas no norte da cidade, mas os turcos e americanos estão a cometer um dos maiores massacres do século XXI.

E nós, não podemos ficar indiferentes ao que se passa em Kobane nem no Médio Oriente ou em África. (Portal de Angola)

por José Valentim Peixe

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