Sócrates queixa-se de “brutal campanha de difamação” para criar “presunção de culpabilidade”

(Negocios)
José Sócrates afirmou esta segunda-feira que está a ser vítima de uma campanha de “denegrimento e ataque pessoal”, porque, acusa, o Ministério Público não tem provas da sua culpa. Por isso é que foi preso, para criar uma “presunção de culpabilidade”.
O ex-primeiro-ministro José Sócrates concedeu esta noite a primeira entrevista televisiva desde que esteve em prisão preventiva por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Na TVI, Sócrates foi especialmente duro com a actuação do Ministério Público, que, acusa, não tem provas do seu envolvimento nesses crimes. Por isso, diz, foi preso, para criar uma “presunção de culpabilidade” e para a justiça poder aterrorizar os seus familiares e amigos, na esperança que algum deles falasse.
José Sócrates resumiu desta forma a investigação que está a ser feita sobre si: “não temos aqui prova nenhuma, não temos facto nenhum, se prendermos toda a gente alguém vai falar”. E foi isso que aconteceu: “prenderam toda a gente com o objectivo de investigar e fazer buscas”. “Teve este lindo resultado, porque as pessoas só tinham isto para dizer: a verdade”, sublinhou o ex-chefe de Governo.
Questionado pelo jornalista José Alberto Carvalho sobre se se sente julgado pelo Ministério Público, Sócrates assentiu. “Por amor de Deus. Este tempo todo o que o Ministério Público fez foi fazer uma brutal campanha de difamação contra mim”, acusou. Mesmo sem que o procurador Rosário Teixeira tenha feito declarações? “Não sejamos cínicos. Não lê os jornais?”, perguntou o ex-primeiro-ministro.
“Ao longo deste último ano, logo que fui detido, o MP fez ou deixou fazer” uma “campanha de denegrimento pessoal, de ataque pessoal para criar uma presunção pública de culpabilidade”, resumiu José Sócrates.
“Não é possível provar aquilo que não aconteceu”

Considerando que foi “humilhado” pela justiça portuguesa, Sócrates caracterizou a falta de acusação como “talvez o aspecto mais sombrio deste processo”. “Há um ano atrás detiveram-me, prenderem-me, disseram-me que tinham provas definitivas para me prenderem e acusarem”, mas “um ano depois nem as provas, nem a acusação nem os factos. Porque não as têm, não as têm agora nem tinham na altura”, afiançou.

Isso acontece, diz, porque “não é possível provar aquilo que não aconteceu”.

Instado a comentar as declarações de Maria José Morgado, directora do DIAP de Lisboa, que disse que “as pessoas não são loucas”, Sócrates notou que já foram feitas há algum tempo. “Passar um ano sem acusação é uma loucura, que põe em causa o prestígio da justiça, o respeito que o Estado deve a si próprio”, caracteriza Sócrates. “Se não são loucos, o que fazem é ignorar os preceitos da acção penal”. (Jornaldenegocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA