Seca no sul de Angola tem consequências devastadoras

(DW)

A seca no sul de Angola continua a prejudicar seriamente o dia-a-dia das populações da região e a falta de comida e água são uma realidade para cerca de 500 mil pessoas.

As províncias do Cunene e Huíla, que contam com mais de três milhões de habitantes, são as mais afectadas e há mesmo várias pessoas a morrer à fome, embora ainda não existam números concretos de fontes oficiais.

As campanhas de solidariedade, realizadas maioritariamente pela Igreja Católica, não são suficientes para ajudar toda a população que necessita. Segundo Francisco Fingo, diretor executivo da Associação Construindo Comunidades (ACC), com uma maior atuação na província de Huíla, a falta de chuvas, para além de estar a provocar a morte do gado, torna também impossível o cultivo de alimentos. Isto, numa população que subsiste principalmente da pecuária e da agricultura. “A seca está a provocar a estiagem, a seca, a fome, a nudez, porque a população não tem como sobreviver. Essa falta de chuvas está a fazer com que as populações estejam em pobreza extrema”, acrescenta.

A seca que se está a fazer sentir não é uma situação pontual, pelo que tem ocorrido nos anos anteriores: “Já é uma questão cíclica. Tem havido uma grande caristia nas populações mais deserdadas do sul de Angola e mais desprovidas. O problema é natural, esta questão da seca. Mas em contrapartida existem outros contornos, outros problemas”, afirma o padre Raul Tati, da diocese de Cabinda, que tem acompanhado a situação, principalmente na província do Cunene.

Crianças em Angola (DW)
Crianças em Angola (DW)

Apelo à solidariedade angolana

O diretor da ACC sublinha que há um boicote da informação interna e apela à solidariedade da população. “A nível dos órgãos de comunicação internos, a notícia não se faz passar. A notícia é boicotada e quando a notícia é boicotada as pessoas pensam que não há problemas”, afirma. Francisco Fingo acredita que se houvesse mais comunicação, com certeza haveria mais inter-ajuda entre as populações.

O padre Tati diz ainda que neste momento “qualquer gesto pode salvar uma boca de morrer de fome” porque apesar da boa vontade dos missionários que estão no terreno e por muito que queiram ajudar, nunca é suficiente, sublinhando a necessidade de políticas de prevenção, pois “este é um problema, primordialmente da responsabilidade do Governo de Angola que deve ter políticas de desenvolvimento e politicas sérias para acudir a esta gente e para prevenir fenómenos desta Natureza. Não se pode evitar a seca. Mas pode-se evitar as consequências desastrosas da seca”.

Por outro lado, António Didalelwa, governador da província do Cunene classificou, esta quarta-feira (16.12), a situação como sendo “difícil” mas não desesperadora, afirmando que o Governo está a tentar minimizar os efeitos da seca que se estima atingir 500 mil pessoas. Paulo Calunga, da Proteção Civil e Bombeiros do Cunene, disse ainda que vão ser distribuídos 300 mil litros de água potável onde é “necessário e possível”.

Solução passa pelo reaproveitamento das águas

Apesar de já terem sido identificados os principais problemas e apresentadas algumas soluções, a falta de acção governamental é apontada como o principal motivo para esta situação devastadora.

“Nós, sociedade civil, temos estado a chamar a atenção ao Governo, promovemos uma conferência em setembro do ano passado sobre Segurança alimentar e foram identificadas todas as técnicas de retenção das águas. Infelizmente, o Governo faz ouvidos de mercador”. esclarece Francisco Fingo.

Mapa das províncias angolanas (DW)
Mapa das províncias angolanas (DW)

Acrescenta que “tem de haver uma cesta básica para que as comunidades possam sobreviver” e sublinha que a retenção de águas é extremamente importante porque “a chuva não cai com regularidade”, portanto há uma necessidade de se reter as baixas quantidades que se conseguem obter e fazer um aproveitamento racional. (DW)

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