Seca no Lago Chade preocupa líderes mundiais e fomenta terrorismo na região

Margens do Lago Chade (DPA)

O Lago Chade está a secar. O alerta é dado por Mahamadou Issoufou, Presidente do Níger, e reforçado por outros líderes, durante a COP21. A falta de água pode deixar as populações mais vulneráveis a atos terroristas.

O Lago Chade, partilhado pelo Níger, Chade, Camarões e Nigéria, reduziu a sua área de 25 mil para 1500 quilómetros quadrados durante as últimas décadas devido, principalmente, às alterações climáticas. Desta forma, as reservas de água diminuiram drasticamente, colocando em risco os meios de subsistência das 30 milhões de pessoas que vivem atualmente na região do Lago Chade e que se dedicam maioritariamente ao setor primário, como a pesca e a agricultura.

A região do Lago Chade é cronicamente instável, registando vários ataques do grupo terrorista islâmico Boko Haram que ganhou força nos últimos 10 anos. Só no último sábado (05.12), três alegados terroristas do Boko Haram atacaram a ilha chadiana de Koulfoua, no Lago Chade, matando 30 pessoas.

Segundo Norbet Cyffer, investigador e especialista naquela região africana, a diminuição de recursos e a seca, torna as populações, mais facilmente, alvos de grupos extremistas que procuram novos membros e terras: “Posso imaginar que essas pessoas, sem quaisquer perspetivas de vida, caiam nas promessas de um futuro melhor por parte de grupos extremistas”.

Conflitos entre habitantes locais em disputa de terreno

Com o crescimento da população e a escassez de recursos, os conflitos sobre pastagens também aumentam. Há décadas que a população se tem deslocado para sul, em busca de solos mais férteis, originando conflitos de terras.Todos os anos, centenas de pessoas morrem em confrontos entre agricultores locais e pastores que vêm do norte.

Philip Jakpor da organização não governamental “Amigos da Terra Nigéria” critica a passividade das autoridades nigerianas face a estes problemas: ”O Governo não tem qualquer posição. Não há nenhum ministério do executivo com responsabilidade para coordenar todas as atividades relacionadas com a mitigação dos efeitos das alterações climáticas ou coordenar outras ações. Agora temos a Conferência do Clima em dezembro. Mas todos eles estão interessados em ir lá, assistir às reuniões e, em seguida, voltar para casa e sentar-se em casa sem fazer nada”.

Sara Vassolo, do departamento alemão de geociências e recursos sublinha ainda que apesar de em 2000 a precipitação ter começado a aumentar gradualmente, a água que escoa para o Lago mantem-se igual: “É preciso também ter em conta que desde os anos 80 a população na região quase triplicou”.

A 21ª Conferência do Clima em Paris (COP21) começou no dia 30 de novembro e visa chegar a um acordo internacional para a diminuição da emissão de gases com efeito de estufa de modo a diminuir o aquecimento global. O evento termina esta sexta-feira, 11 de dezembro. (DW)

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