Ruanda: Paul Kagame não diz nada sobre a sua continuidade na presidência

Presidente Paul Kagame (AP)

O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, agradeceu, hoje, à nação pela votação que altera os mandatos na constituição, mas não fez nenhuma revelação sobre os seus planos. Não se sabe se pretende ou não ser reeleito.

Na sua mensagem anual à nação, Kagame disse que “nenhum indivíduo é perpétuo, mas não há nenhuma limitação nos valores, instituições ou progresso (…) quando chegar a altura de transferir a responsabilidade de um funcionário público para o outro, os Ruandeses têm já confiança de que isso será feito”.

O mandato de Kagame termina em 2017. As novas mudanças permitem a Kagame, que tem 28 anos de idade, concorrer a um mandato de sete anos, seguido de dois de cinco anos cada. Com tal, poderá ficar no poder até 2034.

Noventa e oito por cento de eleitores do Ruanda aprovaram as emendas constitucionais no referendo de sexta-feira. Kagame agradeceu os que participaram, com sim ou com o não.

Os Estados Unidos e a União Europeia criticaram as alterações por atentarem contra a democracia naquele país da África central.

No Domingo, o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Ned Price, pediu a Kagame para respeitar os mandatos determinados na altura em que ascendeu ao poder.

Procedendo desse modo, disse Price, “Kagame criará uma base credível para a democracia no Ruanda, assim como um exemplo a seguir não apenas no Ruanda, mas na região e no mundo”.

Esforços para alterar os mandatos presidenciais levantaram controvérsia em muitos países africanos, este ano. No Burundi, vizinho do Ruanda, o Presidente Pierre Nkurunziza está a ser pressionado a negociar com oposição, que afirma que o seu terceiro mandato, para o qual foi eleito em Julho, é inconstitucional.

Na sequência desse controverso mandato, mais de 200 mil cidadãos fugiram do Burundi receando violência.

Paul Kagame está no poder desde o ano 2000, mas dirige o Ruanda desde 1994, quando o exército da sua etnia Tutsi, a Frente Patriótica do Ruanda, acabou com o genocídio movido pelos extremistas da maioria Hutu.

Mais de 800 mil pessoas foram massacradas no Ruanda, nessa altura, a maioria da etnia Tutsi. (VOA)

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