“Revus” pedem celeridade nos interrogatórios

(DR)

Os 17 réus acusados de actos preparatórios de rebelião, que estão a ser julgados na 14ª sessão dos crimes comuns do Tribunal Provincial de Luanda, ameaçaram entrar em greve de fome, caso os interrogatórios individuais não estiverem concluídos até esta sexta-feira.

Segundo o advogado de defesa Walter Tondela, em declarações à imprensa, no final da audiência desta terça-feira, isto preocupa muito a defesa, apesar de ser um direito dos constituintes.

Ressaltou que a defesa tomou conhecimento deste facto quando já tinha terminado a sessão, mas argumentou ainda não ser uma posição definitiva.

Referiu que em sede própria farão chegar a informação ao Tribunal.

Para si, o período que está a levar os interrogatórios é grande, mas não concorda com este eventual posicionamento dos réus.

A sessão desta terça-feira teve início com a ausência dos advogados de defesa e, por esta razão, o juiz da causa, Januário Domingos, nomeou um defensor oficioso.

Isto levou o réu José Domingos Hata, em interrogatório em instância da defesa, a referir que não iria responder a nenhuma das questões desta, por razões de confiança.

Porém, com a chegada do mandatário Walter Tondela, que assumiu a defesa após ter justificado as razões do atraso, o mesmo predispôs-se a responder as últimas questões que deram por findo ao seu interrogatório.

Também hoje começou a ser ouvido o co-réu Sedrick de Carvalho, que logo de início entrou em choque com o magistrado judicial, valendo-lhe uma advertência sobre o seu comportamento, que em nada o ajudaria.

Ao longo do interrogatório, Sedrick de Carvalho disse, entre outras coisas, que nunca participou nas actividades referida nos autos de acusação e que não era activista.

De seguida, o juiz questionou o facto de estar presente numa formação para o efeito.

Disse ainda que nos encontros em que participou nunca se levantaram questões relacionadas à destituição do Presidente da República, nem como os meios para este efeito.

Questionado também pelo juiz da causa, em relação a declarações prestadas em sede da instrução preparatória segundo as quais não sabia se o co-réu Domingos da Cruz deslocava-se para o exterior do país com a finalidade de ir buscar financiamento, mas sim que iria para Namíbia com o objectivo de imprimir o seu livro, disse nada ter a declarar.

Já em relação ao financiamento, também em sede de instrução preparatória, o magistrado fez referência ao facto de ter dito que a ong Open Society financiou livros do mesmo co-réu, mas não ter conhecimento de outro tipo de doações, ao que respondeu nada ter a declarar.

A partir da sessão de hoje, segundo orientação do Tribunal, deixam de comparecer às sessões os co-réus já interrogados.

Passam apenas a comparecer os que estiveres em interrogatório e os que se seguirão.

Entre os arguidos 15 estão detidos desde o mês de Junho e duas respondem em liberdade. (ANGOP)

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