“Revús” garantem segurança nos seus bairros

(OPAIS)

Enquanto nos bairros de Sedrick de Carvalho e Nuno Álvaro Dala a presença dos polícias e guardas prisionais se tornou sinónimo de segurança para os moradores, no edifício em que reside Osvaldo Caholo, na centralidade do Sequele, tornou-se um transtorno para a vizinhança

presença permanente de cinco efectivos do Ministério do Interior, três trajados com uniformes da Polícia Nacional, e armados, e dois dos Serviços Prisionais (a civil), defronte às residências dos primeiros 15 reclusos a beneficiar do sistema de prisão domiciliária, está a proporcionar melhor segurança aos seus vizinhos.

Os três agentes da Polícia Nacional que se encontravam a vigiar a residência de Sedrick de Carvalho detiveram, na madrugada de Segunda-feira, um indivíduo que tentava assaltar uma cantina situada nos arredores.

O suposto marginal, que se encontra sob custódia das autoridades, desconhecia a presença dos efectivos da ordem naquele perímetro, no momento em que decidiu apropriar-se de bens alheios.

Segundo apurou OPAÍS, o quarteirão em que reside o casal Carvalho era “palco” de diversos assaltos, divido à sua localização geográfica e a fraca presença de agentes da ordem.

Nos arredores do bairro Grafanil II, o cenário é o mesmo. Gertrudes Dala, irmã do réu Nuno Álvaro Dala (um dos acusados pelos crimes contra a segurança do Estado e de actos preparatórios de destituição do Presidente da República), disse que a zona está mais calma no que toca a criminalidade.

Contrariamente à eles, os vizinhos de Osvaldo Caholo, único militar arrolado neste processo que corre os seus trâmites na 14ª Secção de Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, enfrentam o constrangimento de terem que se explicar sempre que entram no seu edifício.

À entrada do referido edifício, situado na Centralidade do Sequele, há um agente da Polícia a rondar o espaço e o restante fica no que interliga o primeiro andar e o rés-do-chão. Além desses, há outro na parte traseira do edifício.

Os transeuntes são obrigados a esclarecer para que apartamento se dirigem. Se forem visitar o arguido, devem apresentar o Bilhete de Identidade (BI), do qual são subtraídos os dados pessoais e transcritos numa lista de presença.

Visitantes sob revistas

Ao visitante é solicitada informação sobre o grau de parentesco com o recluso e o número de telefone para constar na referida ficha de controlo. A hora de entrada e de saída também ficam registadas.

Em casa de Nuno Dala e de Sedrick de Carvalho os procedimentos são quase os mesmos. A única diferença é que numa delas, o BI é entregue ao seu proprietário apenas na hora de saída ao passo que na outra ocorre no mesmo instante.

Este documento pessoal serve para confrontar se o nome do seu utente consta na lista das pessoas que estão proibidas de visitá-los, designadamente, os membros do apelidado Movimento Revolucionário, do Governo de Salvação Nacional ou de outras pessoas arroladas no processo como declarantes.

Os vigilantes de Nuno Dala, durante o dia escondem às armas e só as exibem no período nocturno, contrariamente ao que acontece em casa de Sedrick de Carvalho. As duas crianças que vivem com ele esbarram constantemente com os polícias empunhando armas do tipo AKM e Jericó.

Independentemente do que estiverem a fazer e da hora, os reclusos são obrigados a fazerem-se presentes diante dos reeducadores ou dos polícias sempre chamados. A troca destes efectivos do Ministério do Interior só é feita após a apresentação dos substitutos aos reclusos.

Numa das residências, a nossa equipa de reportagem pode constatar que, além dos reeducadores sociais e dos psicólogos, os reclusos estão a receber a visita de um oficial superior dos Serviços Prisionais que não só procura inteirar-se sobre o seu estado psicológico e físico, como também de questões sócio-económicas das famílias.

O horário de visita termina às 18horas, momento em que o reeducador e o guarda prisional abandonam o posto. Mas não o fazem sem o comunicarem ao recluso.

Campanha de solidariedade com os réus

Os organizadores da campanha de solidariedade com os arguidos, designada de “Natal Feliz aos Presos Políticos”, arrecadaram mais de 180 mil Kwanzas na Terça-feira, o dia em que a iniciaram.

“Arrecadamos 82 mil e 250 Kwanzas (com a contribuição de estudantes, zungueiras, camponeses e limpadores de rua,) e 100 mil Kwanzas provenientes de um cidadão que preferiu não se identificar”, disse o psicólogo clínico Nvunda Tonet, mentor do projecto. Esclareceu que a campanha, que termina no dia de Natal, visa prestar solidariedade aos 15 cidadãos que se encontram em prisão domiciliária.

Disse que tomou tal iniciativa por notar que muitos deles estão desprovidos de valores monetários por se encontrarem desempregados há seis meses e “não têm como proporcionar uma ceia natalícia mais risonha aos seus familiares”. A recolha está a ser feita nas portarias da Igreja de São Paulo e da Rádio Despertar. (OPAIS)

 

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