Referendo constitucional manchado por mortes na República Centro-Africana (vídeo)

(EURONEWS)

O referendo constitucional na República Centro-Africana cifra-se, para já, em dois mortos, no enclave muçulmano de Bangui, resultado de confrontos entre opositores e apoiantes da consulta popular.

O processo eleitoral divide os muçulmanos da ex-rebelião Séléka, e algumas fações, como a do antigo “número dois” do movimento, Nureddin Adam, rejeitam as eleições.

Outros muçulmanos querem votar e levaram cartazes onde se lia isso mesmo. Cartazes que foram empunhar frente à sede da Minusca, a missão da ONU no país.

“Estávamos inscritos é para votar. A nossa assembleia de voto é aqui, por isso, temos o direito de votar. Se queremos dar uma segunda hipótese ao nosso governo e ao nosso Estado, temos de fazer uso de todos os meios para que possamos votar hoje” diz Hamadou Godobe, habitante do bairro PK5, em Bangui, onde se registaram os mortos.

Num país marcado, há três anos, por violentos confrontos intercomunitários e inter-religiosos, este referendo constitucional é a primeira tentativa de regresso à normalidade na vida política do país. As eleições presidenciais e legislativas estão marcadas para 27 de dezembro.

A República Centro-Africana, um dos países mais pobres do mundo, está mergulhada no caos desde o derrube do presidente Bozizé, em março de 2013, pela ex-rebelião Séléka, também afastada do poder por uma intervenção internacional, no início do ano passado.

Perto de dois milhões de eleitores foram chamados a aprovar a nova Constituição, que deverá instaurar uma sexta República, desde a independência desta ex-colónia francesa, em 1960.

As principais inovações do texto dizem respeito, nomeadamente, ao número máximo de mandatos presidenciais (dois), à luta contra a corrupção endémica, ao afastamento dos grupos armados do processo político e à criação de um alto tribunal de justiça.

Organizar este tipo de escrutínio no país foi um verdadeiro desafio: a autoridade do Estado desapareceu de regiões inteiras e numerosas assembleias de voto – ao todo 5.600 – encontram-se em regiões só acessíveis por vias quase inexistentes.

À exceção do partido de Bozizé e de alguns responsáveis anti-‘balaka’ e Séléka, a maior parte dos partidos políticos apelou ao “sim”. (EURONEWS)

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