Rebeldes do Burundi anunciam força para afastar presidente Nkurunziza

(LUSA)

Um antigo oficial do exército burundiano proclamou hoje o nascimento de um movimento rebelde, as “Forças Republicanas do Burundi”, juntando os principais grupos armados que operam no país e que pretende afastar do poder o presidente Pierre Nkurunziza.

“Visando proteger a população e os seus bens e após ampla concertação, decidimos formar uma força armada legalista denominada as Forças Republicanas do Burundi, Forebu”, anunciou o tenente-coronel Edouard Nshimirimana, numa mensagem áudio obtida hoje pela agência France Presse.”O nosso objectivo é afastar Nkurunziza do poder pela força para restaurar o Acordo de Arusha e a democracia” no Burundi, afirmou após ter sido contactado telefonicamente pela AFP.

O Acordo de Arusha consagrou uma partilha do poder entre hutus e tutsis após uma guerra civil entre 1993 e 2006 que opôs o exército, onde era maioritária a minoria tutsi, a grupos de rebeldes hutus.

O Burundi está em profunda crise política depois da candidatura em finais de Abril do presidente Pierre Nkurunziza a um terceiro mandato, considerada pelos seus adversários contrária à Constituição e ao Acordo de Arusha.

O falhanço de um golpe de Estado em meados de maio, a repressão brutal de manifestações e a reeleição de Nkurunziza em Julho não impediram a continuação das violências.

São frequentes os ataques contra a polícia, que é acusada pelos defensores dos direitos humanos de uso desproporcionado da força, de detenções arbitrárias e de tortura, assim como de execuções extrajudiciais.

A União Africana (UA) anunciou no fim de semana o envio de uma missão de 5.000 homens para o Burundi, para tentar acabar com a violência no país, garantindo o avanço do grupo ainda que sem autorização de Bujumbura.

África não deixará que um outro genocídio ocorra no continente, afirmaram os Estados membros do Conselho de Paz e Segurança da UA.

O Burundi é vizinho do Ruanda onde um genocídio entre Abril e Julho de 1994 causou cerca de 800.000 mortos, essencialmente da minoria tutsi. (Noticiasaominuto)

por Lusa

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