Prometida derrota do Boko Haram está ainda longe

Rasto de destruição deixado por um ataque do Boko Haram em Maiduguri, a 22 de junho de 2015 (GETTY)

O Presidente Muhammadu Buhari prometeu derrotar até ao final do ano o Boko Haram. No entanto, áreas no norte da Nigéria continuam sob controlo dos terroristas, que mantêm a estratégia de ataques noturnos e suicidas.

Quando Muhammadu Buhari assumiu o cargo como novo Presidente da Nigéria, a 29 de maio, anunciou que iria derrotar o grupo radical islâmico Boko Haram até ao final de 2015.

Mas depois de seis meses de governação, continua difícil travar o Boko Haram, que há mais de seis anos semeia o terror no nordeste do país. Mesmo assim, muitos nigerianos acreditam que o Muhammadu Buhari consiga, um dia, cumprir a promessa.

“As pessoas veem o atual Presidente como o messias da nação. Eu acredito que ele irá conseguir, porque é um homem muito sério”, diz o comerciante Hussein Abdullahi.

Mas “tendo em conta uma insurgência tão grande como esta, o Presidente não deveria ter estipulado um prazo tão definido”, considera o politólogo Jibo Ibrahim do Centro Nigeriano para a Democracia e Desenvolvimento. Isto “porque quando estabeleceu esse prazo, o chefe de Estado ainda não conhecia em promenor o poder dos terroristas”, explica.

Reputação no meio militar

O maior trunfo do Presidente Muhammadu Buhari no combate ao Boko Haram é a sua reputação no seio das Forças Armadas.

Sob a autoridade do seu antecessor, o ex-Presidente Goodluck Jonathan, os soldados pareciam desmotivados e os líderes militares transpareciam uma imagem de corrupção. Por exemplo, o antigo conselheiro de segurança nacional do ex-Presidente, Sambo Dasuki, é acusado de ter desvidao cerca de 600 milhões de euros, do fundo para o combate ao terrorismo.

Mas agora os militares parecem ter ganho nova disciplina, sob a autoridade do atual chefe de Estado e ex-general Muhammadu Buhari.

Boko Haram mantém regiões sob controlo

O Boko Haram continua a utilizar meios de guerra modernos e um verdadeiro exército de homens e mulheres-bomba. Há ainda regiões no norte do país sob controlo dos terroristas. E, no final de novembro, foi invadida uma base do exército em Gulak, no norte.O “Boko Haram continua a ter campos na região, a partir dos quais atacam aldeias”, garante o politólogo Jibo Ibrahim.

Vastas áreas da Nigéria continuam tão inseguras que não é possível aos jornalistas terem uma imagem clara e objetiva da situação.

No entanto, sabe-se que centenas de milhares de nigerianos continuam a fugir com receio de ataques. Não há ainda qualquer sinal das mais de 200 alunas que foram raptadas, no ano passado, de uma escola em Chibok. E os terroristas mantêm a estratégia de ataques noturnos e atentados suicidas.

Ainda assim, o ministro da Informação da Nigéria, Lai Mohammed, é otimista: “Estou convencido de que nós – com a moral das nossas tropas – vamos conseguir expulsar o Boko Haram até 31 de dezembro”.

Porém, o ministro salvaguarda que “o prazo de 31 de dezembro não signifca exatamente que não haverá mais ataques ou atentados suicidas. Isso não desaparece da noite para o dia. É preciso tempo”.

Além do combate militar, é necessário “desradicalizar toda a região nordeste do país e os líderes religiosos devem também assumir as suas responsabilidades”.

A pouco tempo de terminar o prazo estipulado pelo Presidente para cumprir a sua promessa, o Governo já não fala em destruir ou derrotar o Boko Haram, mas antes em expulsar os terroristas. Mas expulsar para onde? O vizinho Camarões denuncia o aumento nos ataques do Boko Haram. E, noutras partes da Nigéria, há informação sobre planos de novos ataques suicidas.

Desde 2009, as ações terroristas do Boko Haram causaram pelo menos 17 mil mortos e 2,5 milhões de deslocados na Nigéria. O Presidente nigeriano anunciou, recentemente, que irá trabalhar em prol do regresso dos deslocados, a partir de 2016. (DW)

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