Professor admite ter inventado ataque extremista em escola

(REUTERS)

Docente de jardim de infância, que havia dito ter sido esfaqueado num “ataque inspirado no EI”, admite ter mentido, segundo promotoria francesa. A polícia segue interrogatório para determinar o motivo da mentira.

Um professor francês de jardim de infância, que afirmou ter sido esfaqueado em sua sala de aula por um simpatizante da organização terrorista do “Estado Islâmico” (EI), admitiu nesta segunda-feira (14/12) aos promotores que inventou a história.

O homem de 45 anos, funcionário de uma escola em Aubervilliers, a nordeste de Paris, tinha sido hospitalizado com leves ferimentos a faca, alguns destes no pescoço.

Mais cedo, ele havia afirmado que um homem vestindo um macacão e uma balaclava (gorro que encobre o rosto quase por completo) o atacou com um estilete e uma tesoura enquanto estava se preparando para dar sua primeira aula do dia. O professor havia acrescentado que o homem gritou “este é o Daesh, este é um aviso”. Daesh é o acrónimo árabe para o EI.

Promotores comunicaram que ainda estavam questionando o professor, cujas lesões não foram consideradas de risco de morte, sobre o motivo de ter se auto-mutilado e mentido às autoridades. “Ele está sendo interrogado, com a intenção de apurar as razões para esta história inventada”, informou a agência de notícias Reuters, citando uma fonte do judiciário francês.

Com a França ainda sob os efeitos dos atentados coordenados de Paris, e com o “Estado Islâmico” convocando ataques contra escolas francesas, o inquérito foi prontamente assumido pela promotoria anti-terrorismo. O caso inclusive desencadeou uma visita do ministro da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, que prometeu aumentar a segurança nas escolas do país.

Em sua edição de novembro, a revista em língua francesa do “Estado Islâmico”, Dar-al-Islam, havia convocado seus seguidores a matar professores no sistema de ensino francês, descrevendo-os como “inimigos de Deus”.

“Esta educação, no caso particular da França, é um meio de propaganda utilizado para impor a maneira corrupta do pensamento estabelecido pela maçonaria judaica”, dizia o texto. “Muçulmanos precisam ter ciência de que o sistema educativo francês é construído contra a religião e o Islão, sendo a única religião da verdade, não pode coabitar com este secularismo fanático.”

Em Março de 2012, o extremista Mohamed Merah matou três crianças e um professor do lado de fora de uma escola judaica no sudoeste da França. Nos ataques, Merah também matou três soldados franceses. (DW)

PV/afp/ap

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