Presidente do conglomerado Fosun desaparece na China

Guo Guangchang (AFP)

O conglomerado chinês Fosun, proprietário do Club Med, perdeu o contacto com seu presidente, um desaparecimento que pode se dever a uma investigação das autoridades e que levou à suspensão da cotação de suas filiais nas bolsas de Xangai e Hong Kong.

Guo Guangchang, um magnata de 48 anos e figura emblemática do empresariado chinês, não pode ser contactado desde o meio-dia de quinta-feira, indicou a revista Caixin em um artigo publicado na noite de quinta-feira, no qual cita fontes não identificadas.

“Ainda não sabemos se está ser investigado ou se está contribuir para uma investigação” sobre uma terceira pessoa, afirma a revista, conhecida pela fiabilidade de suas informações.

A Caixin cita testemunhos publicados nas redes sociais, que dizem que Guo foi levado pela polícia a um aeroporto de Xangai.

O site de informação Sohu indicou nesta sexta-feira, citando várias fontes, que o magnata estava ser interrogado como parte de uma investigação anti-corrupção contra Ai Baojun, vice-prefeito de Xangai, e que pode ser liberado até domingo.

Contactada pela AFP, Tina Law, porta-voz da Fosun, negou-se a dar explicações, e afirmou que a companhia “prossegue com suas operações de forma perfeitamente normal”.

No entanto, a cotação dos títulos de suas filiais Fosun International e Fosun Pharmaceutical estavam suspensa nesta sexta-feira na bolsa de Hong Kong.

As ações de várias empresas do Fosun cotadas em Xangai também estavam suspensas.

Guo Guangchang é a 17ª pessoa mais rica da China, com uma fortuna de 5,6 biliões de dólares, segundo a agência financeira Bloomberg.

Seu conglomerado Fosun é uma das maiores empresas privadas do país, e sua filial de mais destaque, Fosun International, conta com activos avaliados em 50 biliões de yuanes (7,8 biliões de dólares).

O conglomerado, presente em uma série de sectores, da construção aos seguros, passando pelo ócio e pela siderurgia, também é conhecido por suas chamativas aquisições no exterior.

No início de 2015, depois de dois anos de batalha, conseguiu tomar o controle do Club Med, o especialista francês dos clubes de férias.

Também adquiriu 5% da empresa britânica de viagens Thomas Cook, e uma importante participação no “Cirque du Soleil” canadiano. Também comprou empresas de seguros nos Estados Unidos e em Portugal.

No passado existiram muitos rumores sobre possíveis investigações contra Guo Guangchang, como parte da grande campanha anti-corrupção lançada pelo presidente chinês Xi Jinping, que quer limpar tanto o Partido Comunista quanto os altos círculos empresariais do país.

Quando Wang Zongnan, chefe da rede de distribuição Bailian, foi condenado em Agosto a 18 anos de prisão por desvio de fundos e corrupção, a sentença mencionou seus vínculos estreitos com Guo, afirma a revista Caixin.

Na China é comum saber do desaparecimento de um dirigente público ou de empresa antes do anúncio formal de uma investigação pela polícia, pelas instâncias reguladoras ou pela poderosa autoridade anti-corrupção do Partido Comunista. (AFP)

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