“Poupar” é palavra de ordem do novo Presidente da Tanzânia

(AFP)

Eleito nas presidenciais de 25 de outubro, John Magufuli declarou guerra aos gastos desnecessários em bens de luxo à custa dos recursos públicos.

O novo Presidente da Tanzânia, John Magufuli, tem cada vez mais apoio popular por querer poupar o dinheiro do Governo. As novas medidas do chefe de Estado para conter gastos extravagantes pelo Parlamento, ministérios e agências são descritas por muitos tanzanianos como “uma agradável surpresa”.

John Magufuli tem vindo a introduzir uma série de medidas de austeridade e já instruiu todas as instituições governamentais e públicas a acabar com despesas supérfluas e a poupar.

O objetivo é minimizar os gastos do Governo e disciplinar os contratos públicos, explicou o chefe de Estado no Parlamento, na capital, Dodoma, onde discursou a 20 de novembro.

Magufuli surpreendeu o país quando anunciou que decidiu cancelar as festividades para celebrar os 54 anos de independência da Tanzânia, a 9 de dezembro. Preferiu poupar esse dinheiro e aplicá-lo em serviços sociais e na luta contra a cólera. Parte da verba foi também para a construção de uma estrada em Dar es Salaam, a capital económica do país.

Ultimato aos empresários

Recentemente, o Presidente esteve reunido com empresários, a quem exortou a pagar impostos para dar ao Governo recursos para servir os cidadãos. “Esta guerra está em curso: aos empresários que durante anos fugiram aos impostos dou um prazo de sete dias para que façam os seus pagamentos. Ao agirem desta forma, ficarão em paz”, disse Magufuli, acrescentando que “o Governo precisa de receitas”.

E deixou um alerta: “Os que não cumprirem estas directivas terão de enfrentar a ira da lei. Não estamos a lutar contra a comunidade empresarial, mas queremos que paguem os impostos ao Governo”.

Espera-se que o Presidente Magufuli traga mudanças em termos de liderança na Tanzânia e sirva de exemplo a outros países africanos, afirma Mosses Allan, diretor executivo da coligação tanzaniana de organizações não-governamentais. Isto, explica, porque “o Presidente está mais interessado em cortar nos gastos orçamentais, algo que não foi feito em anos anteriores”.

“Temos muito orgulho do Presidente Magufuli. É alguém mais centrado nas necessidades das pessoas. Na maior parte dos casos, Magufuli procura economizar, cortar nos gastos e certificar-se de que as receitas do Governo estão a ser recolhidas de forma eficaz”, considera Mosses Allan.

“Quanto tempo vai durar?”

Para o analista político Adam Ihucha, do grupo Nation Media, a introdução destas medidas rigorosas é um bom passo para reduzir os gastos e controlar as despesas correntes do Governo. “E como jornalistas talvez possamos ir mais longe e perguntar-lhe quanto tempo isto vai durar. Porque, por exemplo, em relação ao dia da independência, não podemos dizer que não o vamos voltar a celebrar. Acho que isso deve ficar muito claro da parte dele”, explica Ihucha.

No entanto, sublinha, “do ponto de vista do homem comum, isso aconteceu porque o Governo estava a tentar angariar dinheiro para financiar os seus projectos. Acho que não vai ser algo definitivo. E tenho a certeza que, por enquanto, está tudo bem porque o Governo está a recolher verbas para resolver problemas necessários”.

A nova palavra de ordem na Tanzânia parece ser poupar. O novo Presidente já ordenou a suspensão de viagens ao estrangeiro de governantes que não sejam obrigatórias.

John Magufuli também prometeu lutar contra os funcionários do Governo incompetentes e preguiçosos. E criticou abertamente atos de corrupção e má gestão do seu partido, o Chama cha Mapinduzi (CCM), no poder desde 1977. (DW)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA