Paulo Gaspar:“O encerramento das empresas na Huíla é um problema conjuntural”

(Foto: D.R.)

Sem avançar nomes das empresas e grupos que encerraram com a crise, o presidente (AAPCIL), Paulo Gaspar, diz tratar-se de um problema mundial

Pelo menos 200 empresas estão a sair do activo ou encerrar as filiais, mas é um problema conjuntural e não apenas da província da Huíla. Fala-se do encerramento de mais 200 empresas na Huíla. Quais são as causas?

Sim, mais de 200 empresas de vários sectores estão a sair do activo ou mesmo a encerrar as portas, inclusive grupos grandes que estavam ligados a diferentes áreas foram obrigados a desfazer-se e a ficar apenas com a empresa mãe. Muitas empresas tiveram que alugar os espaços a baixo custo e parar com a actividade que exerciam por falta de matéria-prima e recursos financeiros. Esta é uma situação do país todo e é conjuntural na Europa e no Mundo. A crise do petróleo, que é mundial, provocou este problema e, como não poderia deixar de ser, também prejudicou Angola.

Todos nós devemos trabalhar para dar a volta à situação. Pode referir algumas das empresas que encerraram?

Não acho ético citar nomes. Em Angola os empresários têm dificuldade em assumir que estão falidos porque acham que é sinónimo de má gestão. Em todo mundo até os grandes grupos empresariais vão a falência porque as oportunidades mudam e as circunstâncias já não são as mesmas. No país, um empresário dizer que faliu é uma desonra, é um tabu, por isso não adianta falar em nomes, para não criarmos constrangimentos sem necessidade. Como acha que se deveria mitigar o encerramento das empresas que traz consigo grandes.

Consequências para os investidores e empresários?

Em primeiro lugar, é importante que a conjuntura mundial económica se normalize porque é uma questão mundial, em segundo lugar, é importante que se possa redimensionar a economia angolana e diversificá-la, começando pelo sector primário e industrial. Para estimular o sector primário (agricultura, pecuária e produção de matérias- primas) é necessário que se desenvolva em simultâneo a indústria de transformação, de forma a absorver o excedente, dinamizando desta forma toda cadeia produtiva. É importante também definir novas políticas de contenção de despesas para que se possa gerar riqueza no futuro.

Com o encerramento deste número de empresas, como se encontra o desemprego na região?

Não temos registos oficiais mas, só no ramo da construção civil mais de 3 mil funcionários foram para o desemprego.

Que sectores considera serem prioritários na província na Huíla?

A Huíla, por excelência, é uma província agro-pecuária e mineira, daí acreditamos que uma das grandes apostas é o sector agro-pecuário e mineiro. Nomeadamente, nos granitos, ferro e ouro que são grandes potenciais desta região. Mas, o sector mineiro requer recursos avultados para arrancar. Penso que a maior aposta deve ser na agricultura, na pecuária e na indústria de transformação.

Que balanço faz a AAPCIL do ano de 2015?

Este ano não foi dos melhores tendo em conta a conjuntura nacional. A classe empresarial também se retraiu e, mesmo na Expo Huíla, não conseguimos atingir os objectivos a 100% porque, alguns empresários, à última hora, e até grandes empresas, desconfirmaram a presença no evento por escassez de recursos. Já em termos associativos, a organização melhorou, foi possível fazer as eleições para a renovação de mandato que ocorreu em Março do presente ano. Reorganizámos a AAPCIL mas, a nível empresarial, o ano não está a correr bem.

Quais são as expectativas para 2016?

Vamos acreditar que o próximo ano seja melhor, que a situação económica mundial estabilize e que possamos ajudar o nosso governo a materializar o programa para 2016. (semanarioeconomico)

 

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