Parlamento grego aprova reconhecimento do Estado palestiniano

(AFP)

O Parlamento grego adoptou nesta terça-feira uma resolução para pedir ao governo que reconheça o Estado palestino, durante uma sessão especial na presença do presidente Mahmud Abbas, em Atenas desde segunda-feira.

Todos os partidos do Parlamento votaram a favor de um texto que pede ao governo grego que “promova os passos adequados para reconhecer um Estado palestino e qualquer esforço diplomático para retomar as negociações de paz” na região, indicou o presidente do Parlamento, Nikos Voutsis.

O texto menciona uma série de documentos internacionais a favor de continuar as negociações para solucionar o conflito entre israelitas e palestinianos, assim como resoluções sobre o reconhecimento da Palestina adoptadas por outros países e pelo Parlamento Europeu, disse Voutsis.

Há uma semana, a comissão de Defesa e Relações Exteriores já adoptou por unanimidade uma resolução para reconhecer o Estado palestino.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, aplaudiu na segunda-feira o voto do Parlamento, depois de se reunir com Abbas, e anunciou que a palavra “Palestina” substituirá os termos “Autoridade Palestina” nos documentos oficiais gregos.

“A Grécia se compromete com a instauração de um Estado palestino viável, independente e soberano com base nas fronteiras fixadas em 1967 e com Jerusalém Oriental como capital, um país que coexistirá de forma pacífica com Israel”, declarou Tsipras.

Abbas agradeceu, por sua vez, “o povo e o governo gregos por seu apoio” e “sua solidariedade para que os palestinianos tenham seu próprio Estado”.

O líder árabe disse se sentir “orgulhoso de estar no Parlamento grego, o santuário da democracia”, e agradeceu aos deputados gregos por uma votação que “contribui para a criação de um Estado palestino”.

A visita de Abbas à Grécia é um sinal “do fortalecimento” das relações históricas entre os dois países, acrescentou o primeiro-ministro grego.

A Grécia se aproximou de Israel nos últimos anos, sobretudo no âmbito da energia, mas sempre manteve boas relações com os palestinianos.

Em relação ao reconhecimento propriamente dito do Estado palestino, Tsipras esperou “uma solução viável” após negociações substanciais. A Grécia “considerará o bom momento” para este reconhecimento, levando-se em conta “as relações fraternais com o povo árabe e as relações de cooperação com Israel”.

“Queremos realmente que o governo grego siga a decisão do Parlamento e reconheça oficialmente o Estado da Palestina com as fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital”, afirmou à AFP Saeb Erakat, número dois da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), a partir de Ramallah.

Tsipras viajou a Israel e aos territórios palestinianos no fim de novembro. O primeiro-ministro grego aproveitou sua visita para convidar Abbas a Atenas com o objectivo de acompanhar a votação do Parlamento a favor do reconhecimento do Estado palestino.

Até o momento, 136 países reconheceram o Estado palestino, incluindo oito na Europa: República Checa, Hungria, Polónia, Bulgária, Roménia, Malta, Chipre e Suécia. (AFP)

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