ONU quer missão para investigar violência no Burundi

(AP)

Numa resolução apresentada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, é pedido o envio de investigadores das Nações Unidas para averiguar assassinatos e outros abusos no Burundi. Generais vão a julgamento.

O projecto de resolução redigido pelos Estados Unidos, que será considerada na próxima quinta-feira (17.12), “lamenta o ressurgimento da violência e um preocupante aumento drástico em violações dos direitos humanos e abusos nas últimas semanas”.

Além de solicitar o envio de investigadores da ONU para o Burundi para averiguar abusos, incluindo o uso de munição real contra manifestantes e “assassinatos dirigidos”, o projecto de resolução também que o Governo burundês coopere com os esforços de paz liderados regionalmente.

Na segunda-feira (14.12), mais de duas dezenas de generais e oficiais superiores do exército do Burundi, acusados d​​e estarem por trás de um golpe de Estado fracassado em maio, foram a julgamento.

O ex-ministro da Defesa Cyrille Ndayirukiye e outros cinco generais estão entre as 28 pessoas que encaram o tribunal pelo seu papel na tentativa de golpe em maio, quando o Presidente Pierre Nkurunziza estava no exterior – golpe que foi rapidamente frustrado.

Diálogo interno

Em Bruxelas, a chefe de Política Externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini, disse temer que a violência se alastre na região. “Estamos em contacto com a liderança da União Africana (UA) para facilitar o diálogo interno no Burundi liderado pela própria região. Também preparamos algum apoio financeiro para facilitar esse diálogo. E é urgente que comece imediatamente, porque temos que parar a violência”.

Em entrevista à DW África, Yolande Bouka, analista do Instituto de Estudos de Segurança de Nairobi, questionou a actuação do actual mediador da UA para o Burundi, o Presidente do Uganda, Yoweri Museveni.

O especialista também sugeriu um novo modelo para as negociações de paz no país. “Uma forma pela qual a mediação poderia ser mais útil é ter uma presença mais forte de uma liderança mais forte da UA e possivelmente alguns dos países chave poderiam ajudar a alcançar o cumprimento do Acordo de Paz de Arusha, assinado há alguns anos”.

O Burundi acusou o Ruanda de permitir que rebeldes recrutem refugiados burundeses no seu solo, uma acusação negada por Kigali. (REUTERS)
O Burundi acusou o Ruanda de permitir que rebeldes recrutem refugiados burundeses no seu solo, uma acusação negada por Kigali. (REUTERS)

Pior surto de violência

Cerca de 90 pessoas foram mortas na sexta-feira (11.12), naquele que já é considerado o pior surto de violência no Burundi desde um golpe fracassado em maio. Segundo o exército, homens armados atacaram três instalações militares na capital do Burundi, o que provocou um dia de confrontos em toda a cidade.

A violência foi apenas o mais recente de uma série de tiroteios, explosões e assassinatos. O Burundi está tomado pela violência entre a polícia e rebeldes armados desde Abril, quando o Presidente, Pierre Nkurunziza anunciou que iria concorrer a um terceiro mandato. Ele ganhou a eleição de Julho, que foi boicotada pela oposição.

Na semana passada, a UA enviou uma missão de observação dos direitos humanos ao país. “A nossa opinião preliminar é de que houve violações dos direitos humanos, como mortes e prisões arbitrárias, questões de impunidade e tudo isso tem levado a uma tensão na situação social e económica no país”, afirma a chefe da missão, Pancy Makula.

Até agora, mais de 200 mil burundeses fugiram da violência para os países vizinhos. O Burundi acusou o Ruanda de permitir que rebeldes recrutem refugiados burundeses no seu solo, uma acusação negada por Kigali. (DW)

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