Onde está o líder rebelde Joseph Kony?

(DPA)

Joseph Kony, líder do Exército de Resistência do Senhor, é procurado há dez anos, mas ninguém sabe onde se encontra. Dominic Ongwen, comandante do grupo rebelde, comparece esta segunda-feira perante o Tribunal de Haia.

Joseph Kony, senhor da guerra do Uganda e líder do Exército de Resistência do Senhor (Lord’s Resistance Army, LRA, na sigla em inglês), é acusado do rapto de quase 70 mil crianças. Há dez anos que é procurado, mas ninguém sabe ao certo o seu paradeiro.

Esta segunda-feira (21.12), um representante da milícia rebelde apresenta perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, na Holanda. Dominic Ongwen, que depois de Kony é o principal dirigente do grupo, é acusado de crimes de guerra e contra os direitos humanos.

Com esse processo, a acusação espera conseguir mais informações sobre a organização rebelde, que é conhecida pelo rapto de crianças, que depois são usadas como crianças-soldado ou marionetes sexuais. Muitas meninas, por exemplo, são obrigadas a casar-se com soldados. E para que os jovens não fujam ou retornem para casa, muitos são obrigados a matar a própria mãe.

A milícia atua invadindo as comunidades no norte do Uganda e torturando civis. Segundo estimativas, a rebelião executou até agora cem mil meninas e mais de dois milhões de pessoas já foram maltratadas pelo grupo.

“Procurar uma agulha no palheiro”

Kristof Titeca, especialista da Universidade da Antuérpia, diz que é provável que o líder do LRA esteja escondido em algum lugar entre a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo (RDC), o Sudão e Sudão do Sul. “É uma área muito remota, com muitas florestas, o que é ideal para o LRA se esconder”, explica.

Procurar Joseph Kony “é como procurar uma agulha no palheiro”, afirma o acadêmico. “Para se ter sucesso é preciso ter um exército mais forte que o dele”.

Em 2012, a organização norte-americana “Invisible Children” lançou um vídeo sobre as atrocidades cometidas pelos rebeldes / para chamar atenção para o problema, suplicando às autoridades que o impeçam de continuar. Entretanto, não demorou e o assunto perdeu força e novamente desapareceu da mídia.

Ainda assim, Kristof Titeca tem esperança. A milícia está na pior fase da sua história, afirma, e desde 2010, os raptos diminuíram consideravelmente. “Mais de cem mulheres e crianças conseguiram fugir dos rebeldes e alguns dirigentes da milícia foram mortos. Algumas pessoas acreditam que tudo isso isolou a milícia”, diz o especialista.

Por outro lado, acrescenta, “outros lembram que Kony continua solto e chamam a atenção para o facto de ainda desaparecem crianças no norte do Uganda. A ameaça existe”.

Recompensa de cinco milhões

Ainda que os caçadores de Kony tenham o apoio dos Estados Unidos, ele conseguiu sempre escapar. É provável que o guerrilheiro receba proteção do exército sudanês, afirma Kristof Titeca.

Os americanos chegaram a oferecer uma recompensa de cinco milhões de dólares pela captura de Kony. E há alguns anos chegaram a enviar veículos e soldados ao Uganda para encontrar o líder rebelde, segundo um artigo do jornal Washington Post. Mas nem mesmo a mais alta tecnologia americana serviu para desbravar a mata fechada.

Após a detenção de Dominic Ongwen, a União Africana (UA) também enviou cinco mil soldados e ajuda humanitária para aquela região, mas sem sucesso.

Ongwen foi raptado por Kony no caminho para a escola, quando tinha apenas dez anos. Subiu rápido dentro da milícia. Matou e violou. Entregou-se às autoridades quando tinha 32 anos. Por causa desses factos, lembra o especialista Kristof Titeca,”existe a possibilidade de o tribunal questionar se ele é uma vítima ou um agressor”. (DW)

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