Nelson Barbosa marca retorno da heterodoxia à economia brasileira

(AFP)

O novo ministro da Fazenda do Brasil, Nelson Barbosa, é um economista de cunho desenvolvimentista, próximo à presidente Dilma Rousseff, que buscará tirar o país de uma profunda recessão com fórmulas mais heterodoxas do que as do seu antecessor, Joaquim Levy.

Apreciado pelo PT, Barbosa, de 46 anos, conduzia o ministério do Planejamento, uma área-chave do gabinete, que administra grandes orçamentos.

Barbosa, um homem de 1,90 metro, que na juventude foi campeão de remo no Rio de Janeiro, acabou se impondo nas sucessivas quedas de braço que teve ao longo de 2015 com Levy, um ex-funcionário do FMI, que fez do ajuste fiscal seu cavalo de batalha para reequilibrar as contas públicas, despertando forte resistência no Congresso.

A imprensa fez um relato detalhado dos confrontos entre os dois na busca por saídas para a atribulada economia brasileira, que terminaram quase sempre com o mesmo resultado: uma vitória para a postura mais flexível, liderada por Barbosa, e privilegiada por Dilma.

A título de exemplo, a discussão da meta de economia fiscal de 2015 começou com Levy prevendo um superávit primário de 1,2% do PIB e terminou com déficit de 2%. O agora ex-ministro queixou-se publicamente da necessidade de conseguir mais recursos para o Estado através da criação de impostos. E saiu antes de ver este objetivo cumprido.

Uma saída “natural”

Para o mercado, Barbosa era a saída “mais natural”.

“O mercado o considera o nome mais normal, provável, porque já é ministro do Planejamento, já conhece a máquina, já sabe como funciona, é uma solução natural e o mercado o está encarando com certa neutralidade”, disse à AFP André Leite, analista da TAG Investimentos em São Paulo.

Doutor em Economia pela New School for Social Research de Nova York, Barbosa participou diretamente do desenho da política econômica do primeiro mandato de Dilma, quando houve uma forte expansão do gasto público, uma marca do governo do PT.

Por isso, alguns críticos encaram sua nomeação com inquietação.

“Vejo com muita preocupação a entrada do novo ministro porque o Brasil não pode partir para soluções fáceis, como aumentar o gasto para estimular a economia, é um tiro no pé, é uma solução fácil, milagreira”, disse à AFP Margarida Gutiérrez, professora de macroeconomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “A princípio, ele é mais afeito a este tipo de política”, acrescentou.

Pessoas próximas o descrevem como um homem simples, conciliador e discreto, segundo a imprensa.

Nascido em 1969 no Rio de Janeiro, fez boa parte de sua carreira profissional na esfera pública.

Foi secretário-executivo da Fazenda entre 2011 e 2013, período em que atuou como braço-direito de Guido Mantega, o ministro mais longevo do governo do PT (2006-2014) e da pasta da Fazenda na história do Brasil.

Ele trabalhou no Banco Central do Brasil, no Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e integrou o Conselho de Administração da mineradora Vale.

Seus defensores esperam que ele mantenha as políticas sociais que consolidaram a esquerda no poder há 13 anos. (AFP)

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