Manifestantes enfrentam repressão policial na Etiópia

(DW)

Os violentos confrontos entre membros da etnia oromo e a polícia em várias cidades etíopes duram há semanas e já fizeram vários mortos. Os protestos são contra um plano do Governo para expandir a capital, Addis Abeba.

Os críticos dizem que o chamado “plano mestre” de expansão da capital não deve gerar infraestrutura e desenvolvimento, como o Governo promete, mas ameaça a soberania das comunidades oromo e irá expulsar os moradores das suas terras.

Só em novembro, 600 famílias foram deslocadas na pequena cidade Sulutla, a 26 quilómetros de Addis Abeba, diz um agricultor etíope que prefere não ser identificado. As terras confiscadas destinam-se à construção de uma fábrica. Não houve compensação e, até agora, os deslocados não têm para onde ir.

Há anos que muitos oromo sentem que os seus direitos estão ameaçados, embora de acordo com a Constituição o Governo esteja comprometido com o “federalismo étnico”.

Embora o povo oromo seja o grupo étnico mais numeroso da Etiópia, os governos sempre estiveram nas mãos de outros grupos. Toda a região está sob administração militar, diz Merera Gudina, presidente do Congresso Federalista oromo, um partido da oposição que representa o grupo étnico.

“Milhares de soldados foram enviados à região, especialmente a escolas e universidades em áreas remotas. O Governo está a recorrer à força”, sublinha.

Repressão violenta

O Governo respondeu com violência aos protestos dos oromos. Segundo Merera Gudina, mais de 60 pessoas foram mortas. A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional fala em 40 mortos e o Governo em cinco. Ainda segundo a Amnistia, pelo menos cinco mil oromos foram presos, sem acusação ou julgamento, ou mortos sob custódia, entre 2011 e 2014.

O porta-voz do Governo etíope, Getachew Reda, disse à agência de notícias AFP, na quarta-feira (16.12), que as “manifestações pacíficas” escalaram para a violência e que os manifestantes aterrorizam civis.

Merera Gudina defende, no entanto, que é o exército quem aterroriza a população. Milhões estariam em fuga para os países vizinhos, Djibuti e Quénia.

No entanto, o partido promete continuar os protestos pacíficos. Já escreveram cartas às autoridades, ao primeiro-ministro e ao Parlamento, mas até agora não obtiveram resposta.

Na Etiópia, onde os meios de comunicação são controlados pelo Governo, pouco se reporta sobre os protestos. É por isso que os manifestantes oromo agora usam cada vez mais as redes sociais, onde têm exibido, por exemplo, fotos chocantes de estudantes mortos.

“Penso que a comunidade internacional, especialmente os americanos e os alemães, estão apenas a assistir, enquanto as crianças são mortas pelo ditador [Haile Máriam Desálegn], critica o presidente do Congresso Federalista Oromo, que apela ao Ocidente para “fazer pressão sobre o Governo etíope”. (DW)

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