Mais de seis mil desempregados na construção civil em quatro províncias

(Foto: D.R.)

A quebra acentuada dos preços do barril de petróleo conduziu de forma indirecta ao despedimento de mais de 7.000 trabalhadores este ano. Construção civil com 6.500 desempregados, indústria e comércio e serviços são os sectores mais afectados

o número é referente apenas às províncias de Luanda, Benguela, Cuanza Sul e Huíla. Segundo a estimativa da UNTA-CS, a construção é o sector que mais sente a falta dos recursos financeiros do Estado devido à quebra para metade das receitas fiscais com a exportação de petróleo. Neste sector perderam-se mais de 6.500 empregos este ano, dos quais 2.000 sindicalizados:

“De facto, o sector da construção é aquele que apresenta maiores indicadores de desmobilização”, disse o secretário-geral da confederação sindical angolana, Manuel Viage. No final de Novembro, este sindicalista disse que as dificuldades do Estado nos pagamentos estão na origem de um corte da força laboral na construção civil em Angola que poderá ser de 10%: “São empreitadas prestadas ao Estado e que agora o Estado mostra indisponibilidade de mantê-las, porque não tem como honrar os compromissos, pelo que, nessas situações, os empreiteiros fecham a obra e desmobilizam o estaleiro, colocando os trabalhadores numa situação de desemprego”.

A quebra acentuada dos preços do barril de petróleo em 2014 fez diminuir as receitas angolanas com a exportação de petróleo, levando o governo a cortar um terço de todas as despesas públicas previstas e a rever alguns projectos. Manuel Viage não cita números ou nomes de empresas mas confirma que a situação afecta igualmente “pelo menos duas” construtoras de origem portuguesa que operam em Angola e que se viram obrigadas a reduzir a actividade. O sindicalista diz ainda que o desemprego começa a crescer.

A taxa de desemprego ronda os 24% e resulta sobretudo de contratos a termo com trabalhadores angolanos que chegam ao fim e que não são renovados, precisamente porque as construtoras não têm mais projectos em carteira. Depois da construção civil, o sector do comércio e serviços e a indústria são os sectores mais afectados pela crise com, no total, cerca de 450 empregos perdidos. Angola conta com aproximadamente um milhão de trabalhadores que fazem descontos para o sistema de segurança social, entre os sectores público e privado, mas a UNTA-CS estima que mais de cinco milhões possam trabalhar no mercado informal, ou seja, fora deste regime e sem qualquer tipo de protecção social.

32.000 famílias afectadas pelo desemprego

De acordo com Manuel Viage, a onda de despedimentos está a afectar mais de 32.000 famílias de baixa renda: “O corte nos investimentos públicos e a retracção no investimento privado podem aumentar o desemprego no país”. O responsável sindical defendeu a criação de condições que enquadrem e facilitem a iniciativa privada. Segundo Manuel Viage, o emprego cria-se através de reformas estruturais que libertem o potencial de crescimento económico dos países e de apoio às empresas competitivas nos bens transaccionáveis. Para a UNTA-CS, o futuro dos trabalhadores e das empresas está dependente da duração da crise económica e financeira. Perante este quadro, o sindicato espera do Governo a tomada de medidas no sentido da protecção não só dos empregos, como também da manutenção do poder de compra dos trabalhadores. (semanarioeconomico)

Por: Iracelma Kaliengue

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